Nativa da América do Sul, em países como Brasil, Suriname, Bolívia e Peru, a Hippeastrum puniceum é uma daquelas plantas cuja trajetória é marcada por babado e confusão. Passando por várias mudanças de classificação ao longo da sua história, ela enfrentou um vai e vem de identidade que facilmente poderia levá-la ao divã da terapia – a começar pelo fato de que, embora seu nome popular seja “Amarílis”, ela não é, na verdade, uma Amarílis.
Crise identidade
Seu primeiro registro botânico se deu em 1738, quando foi nomeada por Carl Linnaeus como Amaryllis belladonna. Ela passou décadas sendo chamada dessa forma, até que, em 1789, teve início a sua toada de reclassificações. A partir de estudos desenvolvidos pelo filho de Linnaeus, que tinha o mesmo nome do pai, o registro foi atualizado para Amaryllis equestris, pela semelhança da planta com o símbolo de algumas ordens de cavaleiros.
Naquele momento, era comum que espécies da África do Sul e dos países da América do Sul fossem agrupadas no gênero Amaryllis por uma suposta semelhança. Porém, elas eram muito diferentes, o que gerava problemas de identificação. Para resolver a questão, o botânico Willian Herbert, em 1821, propôs uma divisão: as sul-africanas seriam mantidas no gênero Amaryllis, enquanto as sul-americanas seriam um novo gênero: Hippeastrum.
Até 1895, quando foi reclassificada com a sua nomenclatura botânica atual, Hippeastrum puniceum, a nossa Amarílis já tinha mudado de nome mais de 10 vezes. Entre os muitos registros anteriores, estavam Amaryllis puniceum e Hippeastrum equestre. Porém, em 1938, quando já estava se acostumando com a nova identidade, a comunidade científica questionou novamente o seu nome, pois houve dúvidas sobre ela ser da América do Sul ou da África do Sul.

Depois de quase 50 anos de suspense para a planta, finalmente, em 1987, no Congresso Internacional de Botânica, houve um veredito. Como os dois gêneros já tinham uma história e um reconhecimento, deveriam permanecer como estavam. Atualmente, são reconhecidas 112 espécies Hippeastrum e apenas 2 Amaryllis. Até agora, a Hippeastrum puniceum não teve sustos.
Cultivo
De todas as pertencentes ao gênero Hippeastrum, a Hippeastrum puniceum é a que tem a maior presença geográfica, indo do Brasil ao México. É mais comum que ela chegue aos mercados quando já está em flor, mas o estágio de bulbo é bem interessante. Isso porque os bulbos maiores são aqueles com uma maior concentração de nutrientes. Assim, eles também são os que terão mais potencial para um crescimento saudável e também com mais flores.
Entretanto, é preciso uma dose de paciência: a Hippeastrum puniceum tem o ritmo dela, podendo levar até 6 anos para dar flores. A contrapartida é que ela pode viver por cerca de 75 anos, florescendo várias vezes ao longo desse tempo. Podendo chegar até 80 cm de altura, ela gosta de sol da manhã direto. Porem, não gosta de vento e nem de solo encharcado, de modo que prefere receber água somente quando o seu substrato estiver seco.
Ficha Técnica:
- Principais nomes populares: Amarílis
- Reino: Plantae
- Filo: Streptophyta
- Classe: Equisetopsida
- Subclasse: Magnoliidae
- Ordem: Asparagales
- Família: Amaryllidaceae
- Gênero: Hippeastrum
- Espécie: Hippeastrum puniceum
- Origem: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela
- Nativa no Brasil: Sim (Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Tocantins, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina)
Referências
https://www.scielo.br/j/rceres/a/WQcn33cCbW5bLCKRJQ8dVzH
https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/CNPAT-2010/11982/1/Ci-027.pdf
https://repositorio.ufes.br/handle/10/8360
https://www.ipni.org/n/122815-2
https://revistas.unicentro.br/index.php/repaa/article/viewFile/5894/4615
https://ornamentalhorticulture.emnuvens.com.br/rbho/article/view/1700
https://repository.ufrpe.br/bitstream/123456789/2480/1/tcc_brunakalinedelimasantos.pdf
https://littleflowerhut.com.sg/flower-guide/all-about-amaryllis-history-meaning-facts-care-more/
https://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB4366
http://www.unirio.br/ccbs/ibio/herbariohuni/hippeastrum-puniceum-lam-voss
https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/202324/1/DC-188.pdf
https://repositorio.unb.br/bitstream/10482/2863/1/2007_AndrielleCamaraAmaral.PDF
https://hort.extension.wisc.edu/articles/amaryllis-hippeastrum/
https://www.gardeners.com/how-to/amaryllis-facts/8660.html
https://casavogue.globo.com/smart/noticia/2022/12/amarilis-como-cuidar.ghtml





