
Criado em junho de 2023, o História da Planta é uma plataforma de conteúdos sobre a trajetória das plantas ao redor do mundo, mostrando a importância cultural, política, econômica, afetiva, social e ambiental que elas exercem.
Essa é uma iniciativa criada por mãe e filha apaixonadas por plantas e com corações amazônicos. De Belém do Pará pro mundo, somos Glória Pinto, bióloga pela UFPA, com passagens pela Embrapa, prefeitura de Belém e governo do estado do Pará; e Ana Paula Souza, jornalista pela USP, com passagens pela Spray Filmes, Virtue Worldwide, Winnin, Accenture e R/GA.
A Glória é quem elabora a pesquisa de todos os conteúdos que vocês encontram aqui. É ela quem revira livros, bancos de dados, dissertações, teses, revistas científicas e muito mais pra encontrar as histórias das plantas que vocês pedem pra gente. Já a Ana também participa da pesquisa e é quem traduz o academiquês e organiza tudo visualmente, além de ser a social media e gestora do site.
A Glória acredita que, assim como nós somos uma parte muito importante do ciclo da vida no planeta, as plantas e as florestas também são e precisam ser valorizadas. Ela sempre levantou a bandeira da sustentabilidade e da preocupação com o meio ambiente, porque, pra ela, o amor às plantas demonstra o respeito à vida – e a Glória ama viver.
A Ana ama ler sobre a história das coisas e, depois de devorar o livro A incrível viagem das plantas, do Stefano Mancuso, começou a pensar em como seria incrível saber mais sobre a história das suas plantas e também compartilhar essas histórias com o mundo. Foi assim que tudo começou e que chegamos até aqui.
Por que conhecer a história das plantas é tão importante?
Se os seus olhos estão cumprindo bem o papel de enxergar o mundo, provavelmente você lembra da última pessoa ou pet que você viu. Mas e a última planta? Se você não lembra dela, talvez você tenha a chamada “Impercepção Botânica”, uma tendência que foi agravada pelo uso dos dispositivos móveis e que consiste em ignorar as plantas ao nosso redor.

Anteriormente chamado de “Cegueira Botânica” – uma expressão capacitista -, esse fenômeno tem um facilitador cognitivo: o nosso cérebro tende a prestar mais atenção naquilo que se move de forma perceptível aos olhos. Porém, com a menor exposição à natureza, a Impercepção Botânica tem se potencializado e gerado vários danos a nós, humanos.
Déficit de Natureza
Entre os prejuízos causados pela Impercepção Botânica, está a “Desordem do Déficit de Natureza”: por ignorar as plantas no nosso campo de visão, temos menos estímulos para sair de ambientes fechados e isso nos leva a apresentar sintomas que vão desde carência de vitamina D e problemas circulatórios, até transtornos como ansiedade e depressão.
Outra consequência é o desinteresse pela preservação. Mais de 28 mil espécies de plantas são matérias-primas de remédios, incluindo os anticancerígenos, de modo que, sem elas, seria dificílimo resistir às doenças. E mais: sem plantas, não teríamos como respirar, porque a erosão dos solos sufocaria os oceanos, onde é produzido mais de 50% do oxigênio do planeta.
Como mudar esse cenário?
Além de conviver mais com a natureza, um dos caminhos para mudar tudo isso é conhecer a história das plantas. Ao saber mais sobre a vida delas, entendemos muito sobre a nossa própria narrativa: as plantas fazem parte da nossa memória social, cultural, política, econômica. Tudo isso reforça os laços afetivos com elas e contribui para a conservação ambiental.

Além de reforçar os nossos conhecimentos sobre o mundo – uma Maçã, por exemplo, fala tanto sobre religiosidade quanto sobre tecnologia -, a história das plantas também ajuda exercitar o cérebro. Ao saber mais sobre frutas que marcaram a nossa infância, por exemplo, ativamos memórias, revivemos momentos felizes e reforçamos vínculos afetivos saudáveis.
Nos últimos 250 anos, mais de 500 espécies de plantas foram extintas. 32% das florestas já desapareceram e as 3 trilhões de árvores restantes são destruídas no ritmo alucinante de 15 bilhões por ano. Por isso, compartilhar o amor pelas plantas, conviver com elas e espalhar suas histórias são práticas fundamentais para garantir o futuro delas – e o nosso também.








