Coragem, proteção, cura: esses são alguns dos sinônimos para plantas queridas e populares em todo o mundo, as Angélicas. Angelica, na verdade, é o nome de um gênero inteiro de flores, que conta com mais de 100 espécies. Encontradas em toda a extensão do hemisfério norte, elas são pequenas, delicadas e aparentemente frágeis, mas esses são apenas um charme: de modo geral, as Angélicas são fortes, poderosas e nasceram para ser protagonistas.
Antes de seguir, é importante desfazer uma pequena confusão: aqui no Brasil, é comum associar o nome “Angélica” às plantas da espécie Agave amica, anteriormente conhecida como Polianthes tuberosa. Porém, elas não têm parentesco com as Angélicas oficiais e estão muito distantes umas das outras na linha evolutiva das plantas.
Angelica sylvestris
Voltando a falar sobre o gênero Angelica, três espécies são as mais conhecidas mundo afora: a Angelica sylvestris, a Angelica archangelica e a Angelica sinensis. Vamos falar aqui sobre cada uma delas, começando pela A. sylvestris: ela é uma espécie encontrada em grande parte da Europa e da Ásia, com flores brancas ou roxas. Seus caules e folhas alimentaram e ainda alimentam várias comunidades em períodos de escassez. Porém, é preciso atenção, porque ela é parecida com as plantas dos gêneros Cicuta e Conium, que são muito venenosas.

A. archangelica
A Angelica archangelica tem esse nome porque, no século 17, o arcanjo Miguel teria aparecido a um monge inglês e dito que a planta era a cura para a peste, que assolava a região. De fato, por suas propriedades antibacterianas, ela foi muito importante no controle da doença. Até hoje, a acredita-se que um banho de A. archangelica afasta qualquer mal. Seu cultivo costuma se voltar para fins alimentares e aromáticos, mas seu óleo faz parte de muitos perfumes e acredita-se que ele seria a fragrância dos anjos. Por isso, receber um buquê com suas flores é um motivo de honra e alegria.

A. sinensis
Porém, para muitos estudiosos, a que mais se destaca é a Angelica sinensis. Conhecida como Dong quai (“Dang Gui”, em chinês), ela é nativa das regiões Norte e Central da China, em especial naquelas situadas em altas altitudes. Ela é uma erva importante na medicina tradicional do país. Sua raiz faz parte de tratamentos para distúrbios menstruais e sintomas da menopausa, por exemplo, sendo cultivada em diversas regiões, como na província de Gansu, onde a produção tem tradição familiar e é a principal fonte de renda local. Ela também é muito usada na Coréia e no Japão.

Assim como a A. sylvestris e a A. archangelica, a A. sinensis também tem peculiaridades. Crescendo ao longo de 3 anos, o primeiro é dedicado ao desenvolvimento da folhagem, enquanto a floração só ocorre no segundo ano do ciclo. Quando essa floração é antecipada, pode haver um considerável prejuízo das propriedades medicinais. Entre outras, ela apresenta grandes concentrações de flavonoides, vitaminas, aminoácidos e polissacarídeos que contribuem para efeitos antibacterianos, anti-inflamatórios e imunomoduladores.
De qualquer forma, independente de qual seja a sua Angélica preferida, uma coisa é certa: todas elas têm a simbologia da sorte e da esperança e sempre vão ajudar você a se sentir protegida e fortalecida aonde quer que você vá.
Ficha Técnica:
- Principais nomes populares: Angélica
- Reino: Plantae
- Filo: Streptophyta
- Classe: Equisetopsida
- Subclasse: Magnoliidae
- Ordem: Apiales
- Família: Apiaceae
- Gênero: Angelica
- Espécie: Angelica sylvestris, Angelica archangelica e a Angelica sinensis
- Origem: Afeganistão, Albânia, Áustria, Belarus, Bélgica, Bulgária, Canadá, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Geórgia, Alemanha, Grécia, Hungria, Islândia, Irã, Irlanda, Itália, Japão, Cazaquistão, Líbano, Mongólia, Nepal, Países Baixos, Noruega, Paquistão, Polônia, Portugal, Romênia, Rússia, Síria, Suécia, Suíça, Turquia, Turcomenistão, Ucrânia, Uzbequistão, Vietnã.
- Nativa no Brasil: Não
Referências
https://www.prp.unicamp.br/pibic/congressos/xiicongresso/cdrom/pdfN/121.pdf
https://www.nhm.uio.no/om/aktuelle-saker/bioone-0278-0771-40.3.289.pdf
https://www.nature.com/articles/s42003-023-05569-5
https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0944711321001951
https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0378874116302951?via%3Dihub
https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0006295201006256?via%3Dihub
https://link.springer.com/article/10.1186/1749-8546-6-29
https://link.springer.com/chapter/10.1007/978-1-59259-237-1_5
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15180579
https://powo.science.kew.org/taxon/urn:lsid:ipni.org:names:77065778-1
https://www.britannica.com/plant/angelica-plant
https://www.mendeley.com/search/?query=Angelica+sinensis+history&dgcid=md_homepage








