Conhecida por suas cores vivas, que vão do amarelo ao vermelho intenso, mas também pelo fato de que suas folhas, caules, brotos, flores e frutas são comestíveis, a Tropaeolum majus, popularmente chamada de Capuchinha, é uma planta com uma história incrível. Caminhando por diversos períodos históricos, ela salvou vidas, conquistou palácios, ditou tendências e muito mais.

A Capuchinha (Tropaeolum majus) é uma PANC (Planta Alimentícia Não Convencional) que faz muito sucesso ao redor do mundo

A Tropaeolum majus  é uma planta herbácea, de ramos rasteiros que podem se espalhar por até 2 metros do território. Ela gosta de locais ensolarados e se espalha pelo chão formando belos arbustos a partir de suas raízes, robustas e agrupadas. 

Levemente apimentada, seu sabor lembra o agrião, porque ela tem compostos semelhantes aos do óleo de mostarda. Nesse sentido, a Capuchinha costuma ser muito usada em saladas e refogados. Porém, além das qualidades alimentícias, ela também tem muitas propriedades medicinais.

Em primeiro lugar, a espécie é uma excelente fonte de microelementos, como potássio, fósforo, cálcio e magnésio, e macroelementos, especialmente zinco, cobre e ferro. Além disso, o óleo essencial e o extrato das flores e folhas, bem como os compostos isolados desses elementos, têm efeitos antimicrobianos, antifúngicos, hipotensores, expectorantes e anticancerígenos.

Porém, de todas as propriedades da Capuchinha, a mais conhecida é a sua riqueza em vitamina C. Essa foi, inclusive, uma das razões da sua popularidade na Europa, já que Tropaeolum majus foi fundamental no tratamento de escorbuto.

Como se tudo isso não fosse suficiente, para além das propriedades alimentícias e medicinais, a Capuchinha também é uma grande aliada no controle de pragas. Isso porque, como a sua cor e aroma são muito apreciados pelos insetos, ela chama a atenção para si e evita que as outras espécies de plantas ao seu redor alvo de predadores. Porém, ela não sai prejudicada: a Tropaeolum majus se protege liberando um fitoquímico quando é atacada.

Além de saborosa, a Capuchinha (Tropaeolum majus) é rica em nutrientes, com destaque para a vitamina C, e ainda é uma aliada no controle de pragas

Nativa da América Latina, nas regiões próximas à Cordilheira dos Andes no Peru, a Capuchinha era um ingrediente culinário importante, mas também uma erva medicinal muito apreciada pelos antigos Incas. A sua versão selvagem era usada em chás para tratar infecções respiratórias e também no tratamento de cortes e queimaduras. Por tudo isso, mas também por crescer e se reproduzir com facilidade, ela simboliza liberdade, força e independência para as comunidades locais.

A Capuchinha foi uma das primeiras plantas do Novo Mundo a se tornar popular nos jardins de flores dos europeus, mas ela não foi a primeira do seu gênero a chegar na Europa: quem abriu os trabalhos foi a Tropaeolum minus, que hoje é rara. Já a Tropaeolum majus, que documentada pela primeira vez pelo botânico espanhol Nicolás Monardes em 1565, tem seu primeiro registro na Inglaterra datado de 1597. 

Pela sua origem na América, a Capuchinha ficou inicialmente conhecida pelos europeus como “Indian Cress”, já que as Américas eram então chamadas de Índias. Até hoje, esse é um dos seus nomes mais populares ao redor do mundo.

Porém, o seu nome mais comum é “Nasturtium” e significa “torcedor de nariz”, em latim. Esse nome vem do seu sabor apimentado e fragrância picante semelhante ao agrião (Nasturtium officinale). Já o nome do seu gênero, Tropaeolum, vem da palavra grega tropaion, que significa troféu, mas também da semelhança entre as suas flores e os tropaeum, capacetes que antigos guerreiros romanos usavam. 

Devido ao seu alto teor de vitamina C, a Capuchinha foi distribuída para portos e ilhas oceânicas para combater o escorbuto nas longas viagens marítimas e logo passou a ser usada também como uma erva medicinal. Ela salvou muitas vidas nesse processo.

Entretanto, o que a fez ganhar maior popularidade foi a sua presença, entre os séculos 17 e 18, nos canteiros de flores do Rei Luís XIV no Palácio de Versalhes. Até hoje, os Jardins de Monet, em Giverny, têm uma longa passarela arqueada colorida e perfumada pelas Capuchinhas.

O tapete de Capuchinhas (Troapaeolum majus) nos Jardins de Monet, em Giverny, na França

A Tropaeolum majus chegou à América do Norte com os imigrantes europeus em 1759. Thomas Jefferson foi quem registrou pela primeira vez o plantio e o uso no território dos Estados Unidos, em 1774: ele usava as folhas e flores em saladas e conservava as sementes e brotos como alcaparras. Inclusive, foi o seu mentor de jardinagem, Bernard McMahon, a primeira pessoa a vender sementes de Capuchinha nos Estados Unidos como um item comestível, em 1803. 

Voltando à Europa, décadas mais tarde, na Era Vitoriana na Inglaterra, as mulheres usariam a Capuchinha em pequenos buquês para afastar maus cheiros. Já na Segunda Guerra Mundial, as sementes da planta eram moídas e usadas como um substituto para a Pimenta do Reino, que, na época, ficou mais cara e escassa.

Com suas cores fortes, aliadas às suas inúmeras propriedades alimentícias e medicinais, a Capuchinha (Tropaeolum majus) marcou vários períodos históricos em diversas culturas.

De modo geral, a Capuchinha cresce melhor em solo com pH neutro, mas, curiosamente, não se dá bem em solos ricos em matéria orgânica e nutrientes. Isso porque, no caso dela, o solo rico resultará em vegetação abundante, mas poucas flores. Ela prefere pouca nutrição, porém água semanal e boa drenagem, para que possa ficar no sol pleno que ela tanto ama. Em período mais quentes, precisa ser regada mais vezes.

A superfície da sua folha tem uma propriedade extraordinária: a super-hidrofobicidade. É uma característica semelhante ao “efeito Lótus”, que permite que gotículas de água que caem na folha mantenham seu formato esférico e deslizem para fora da planta, levando a sujeira e potenciais predadores embora. Isso ajuda a cuidar da saúde da Capuchinha e a facilitar o seu cultivo.

Hoje, é possível encontrar a Tropaeolum majus em territórios que vão desde a Jamaica até o Vietnã.

  • Principais nomes populares: Common Nasturtium, Garden Nasturtium, Capuchinha, Capuchinho, Chaguinha, Mastruço do Peru, Flor de sangue, Agrião do México, Nastúrcio, Agrião da Índia, Flor de Chagas
  • Reino: Plantae
  • Filo: Streptophyta
  • Classe: Equisetopsida
  • Subclass: Magnoliidae
  • Ordem: Brassicales
  • Família: Tropaeolaceae
  • Gênero: Tropaeolum
  • Espécie: Tropaeolum majus
  • Origem: Peru
  • Nativa do Brasil: Não