Todo mundo conhece alguém que é uma unanimidade. Aquela pessoa que agrada a gregos e troianos, que faz amigos em qualquer lugar e que é praticamente o Zeca Pagodinho da turma. No universo das plantas, a Cordyline fruticosa, conhecida por nomes como Coqueiro de Vênus e Dracena Vermelha, é uma dessas queridas. Com uma popularidade que vai do Brasil à Polinésia, ela tem vários usos e significados.

Cordyline fruticosa existe de forma nativa da Ásia Tropical à Oceania, em territórios como Austrália e Papua Nova-Guiné. Apesar de ser oficialmente da família Asparagaceae (antiga Dracaenaceae), ela é “disputada” por várias outras, como Liliaceae, Agavaceae Asteliaceae. Isso porque não há um consenso científico sobre toda a sua linhagem. Porém, é certo que ela não é do gênero Dracaena, e sim Cordyline.

O Coqueiro de Vênus faz parte de diversas culturas ao redor do mundo

Porém, apesar de ter passado por diversas mudanças de nomenclatura nessa disputa familiar – ela já foi chamada até de Dracaena terminalis, por exemplo – a Cordyline fruticosa manteve o seu jeito afetivo, sendo integrada às culturas dos lugares por onde passou e se estabeleceu.

No Havaí, por exemplo, ela é associada à Laka, deusa do Hula, por isso, é comum que as comunidades usem suas folhas na confecção das roupas da dança. Também por lá, aonde chegou no processo das migrações populacionais do sudeste asiático, a Cordyline fruticosa é importante na vestimenta dos firewalkers, homens que praticam a tradicional caminhada sobre brasas na região do Pacífico. A cultura local explica que os espíritos usam as folhas da planta como um meio para conceder a imunidade ao fogo aos caminhantes.

Os firewalkers são tradicionais não só no Havaí, mas também na Polinésia como um todo

Na Polinésia, a planta faz parte das representações de ‘Oro, o deus da guerra. Por isso, é comum que ela esteja ao redor das casas e dos templos, como uma proteção. Já na Melanésia, entre os falantes das línguas austronésias, ela simboliza a conexão entre os vivos e mortos. Nesse sentido, as suas folhas, por serem sagradas, são usadas no envio de mensagens codificadas. Uma quantidade de nós na folha, por exemplo, pode indicar contagem de tempo.

No Brasil, a Cordyline fruticosa é muito presente nas tradições de matriz africana, sendo conhecida como Peregum Roxo. Ela difere da planta chamada somente de Peregum, que é do gênero Dracaena. Entre outras tradições, o Peregum Roxo é muito relacionado com as orixás Nanã (a matriaca das divindades e associada à sabedoria e à transcendência) e Iansã (que rege os ventos e tempestades, mas também as mudanças).

Para tê-la em casa, é importante saber que, pela sua origem tropical, ela gosta de umidade e calor. Apesar de ser muito presente nos canteiros das cidades, recebendo luz direta, ela prefere áreas de sombra, visto que o sol pode queimar suas folhas.

Apesar de não ser comum no cultivo doméstico, a Cordyline fruticosa apresenta inflorescências que brotam da extremidade do caule, no centro do cacho de folhas. No verão, elas originam flores brancas ou rosadas, com um aroma semelhante ao da Lavanda. É a partir delas que surgem os frutos, que nascem verdes e ficam vermelhos. Esses frutos atraem pássaros que irão ajudar a planta a se espalhar mundo afora, com a dispersão de suas sementes.


  • Principais nomes populares: Coqueiro de Vênus
  • Reino: Plantae
  • Filo: Streptophyta
  • Classe: Equisetopsida
  • Subclasse: Magnoliidae
  • Ordem: Asparagales
  • Família: Asparagaceae
  • Gênero: Cordyline
  • Espécie: Cordyline fruticosa
  • Origem: Fiji, Vanuatu, Ilhas Salomão, Ilhas Marshall, Papua-Nova Guiné, Micronésia/Palau, Guam/Ilhas Marianas do Norte), Indonésia, Austrália, Ilhas Salomão.
  • Nativa no Brasil: Não