Das 49 espécies do gênero Jacaranda, 37 são brasileiras. Porém, se você se acostumou a ver as ruas da sua cidade em tons de roxo e lilás, há grandes chances de que a autora de todo esse colorido seja uma das poucas espécies do gênero que não estão entre as nativas do Brasil: a Jacaranda mimosifolia, que é uma das mais populares por aqui, mas é nativa da Argentina, da Bolívia e do Paraguai.

Em Tupi, “Jacarandá” significa “árvore de madeira dura”. Essa é uma característica comum às espécies do gênero, como a própria Jacaranda mimosifolia. Ela chegou ao Brasil ainda no período colonial, durante o processo de arborização do espaço urbano, quando houve a tentativa de inserir aqui os padrões europeus. Porém, ela não ficou apenas por aqui: a partir do Brasil, ela foi levada para outras cidades mundo afora, como Lisboa (Portugal), Pretória (África do Sul) e Sydney (Austrália), ao longo do século 19 e início do século 20.

Ainda que seja lembrada principalmente pela madeira e pelo valor paisagístico,  a Jacaranda mimosifolia também é muito apreciada para tratamentos naturais. Isso porque suas flores possuem atividades antioxidantes e antimicrobianas, de modo que são presentes muitas vezes no cuidado de feridas e úlceras, bem como adstringente natural. Entretanto, ela também tem outro importante valor: o de contribuir para a regeneração de áreas devastadas, pois, apesar de não ser brasileira, a sua área nativa é muito próxima do território brasileiro.

Quando se deseja recuperar matas devastadas, o ideal é certamente usar espécies nativas da área em questão. Isso porque, quando espécies exóticas chegam às florestas que não são as suas, elas podem competir por espaço e nutrientes com as plantas locais, desequilibrando a área. Porém, no caso da Jacarandá mimosifolia, como o seu espaço nativo faz limite com o devastado Centro-Oeste do Brasil, a sua presença nessa porção limítrofe também ajuda o solo a ficar mais rico para as espécies brasileiras da região.

Geralmente, as espécies do gênero Jacaranda costumam se dar muito bem em áreas degradadas, visto que não precisam de grande umidade e se adaptam com facilidade ao calor e à grande luminosidade. Entre as 37 brasileiras, várias podem são adequadas para os projetos para a regeneração florestal, como a Jacaranda copaia (que cobre de forma nativa toda a região Norte), a Jacaranda brasiliana (que vai do Norte até o Sudeste) e a Jacaranda caroba (que cobre o país todo).

Curiosamente, embora não sejam nem da mesma família botânica do gênero Jacaranda (que é da família Bignoniaceae), três espécies do gênero Dalbergia (que pertence à família Fabaceae) são conhecidas popularmente como Jacarandá: Dalbergia miscolobium (Jacarandá do Cerrado), Dalbergia brasiliensis (Jacarandá Rosa) e a Dalbergia nigra (Jacarandá da Bahia). As três são brasileiras e grandes aliadas para o reflorestamento de áreas degradadas.

Além do valor paisagístico, o Jacarandá do Cerrado também é muito importante na recuperação de matas ciliares. Isso porque, por ter um alto índice de regeneração natural, também é muito indicado para a restauração ambiental de áreas degradadas pela mineração. Já o Jacarandá Rosa, por ter uma madeira bem resistente aos cupins, é muito utilizada na criação de móveis e na decoração de carros de luxo. Assim como o do Cerrado, o Rosa também é muito usado nas áreas ciliares.

Por fim, o Jacarandá da Bahia é um dos mais importantes para o reflorestamento. Entretanto, por ter sido explorado de forma agressiva em móveis e instrumentos musicais de luxo, como o piano de cauda, hoje corre risco de extinção.

No fim das contas, seja com as espécies do gênero Jacaranda, seja com as do gênero Dalbergia, o importante é atuarmos o quanto antes na recuperação das nossas florestas, especialmente após os graves incêndios que têm afetado o Brasil.


  • Principais nomes populares: Jacarandá
  • Reino: Plantae
  • Filo: Streptophyta
  • Classe: Equisetopsida
  • Subclasse: Magnoliidae
  • Ordem: Lamiales
  • Família: Bignoniaceae
  • Gênero: Jacaranda
  • Espécie: Jacaranda mimosifolia
  • Origem: Argentina, Bolívia, Paraguai
  • Nativa no Brasil: Não

Referências