O gênero botânico Protea é um dos mais antigos e diversos do planeta, tendo surgido há mais de 300 milhões de anos. Seu nome é uma homenagem ao deus Proteu, que teria como uma de suas principais características o poder de mudar de forma, e faz menção ao fato de o gênero ter mais de 1400 espécies não apenas muito diferentes entre si, mas que também mudam de forma ao desabrochar. Entre todas elas, uma espécie é inegavelmente a grande majestade: a King Protea, de nome científico Protea cynaroides
Simbologia
Podendo viver até 15 anos na natureza e chegar aos 2 metros de altura, a King Protea existe no planeta desde os tempos da Gondwana, um dos grandes blocos de territórios que iria se dividir e originar os continentes. Como África e Austrália estavam ligadas, há várias espécies de Proteas nesses territórios. A King, no caso, é nativa da África Sul, onde é uma verdadeira soberana: ostentando o título de Flor Nacional desde 1976, ela está presente em vários símbolos do país.

Na cultura sul-africana, a King Protea é a representação da riqueza natural do território, mas também da força, da coragem e da esperança do seu povo diante dos desafios da vida. Isso porque ela é capaz de superar e até mesmo se beneficiar das condições mais adversas – por exemplo, ela prospera em áreas de incêndios naturais, pois o calor ajuda na germinação das sementes. Pelo porte majestoso e singular, ela também significa a beleza e o poder de cada um.
Na África do Sul, a bela Protea cynaroides não apenas já foi usada em moedas, passaportes, selos, como também foi a grande inspiração para o design do estádio Nelson Mandela Bay, construído para a Copa do Mundo de Futebol de 2010. Aliás, essa ligação com os esportes do país é tão estreita que a Protea faz parte até mesmo do símbolo das seleções masculina e feminina de críquete do país, as quais são chamadas de Proteas Men e Proteas Women. O esporte é um dos mais importantes na cultura sul-africana.

Características
Registrada pela primeira vez em 1735, a Protea cynaroides já despertava a atenção dos botânicos europeus desde os anos 1500, quando estes chegaram ao Cabo da Boa Esperança e a levaram para ser cultivada na Europa como planta ornamental. Inclusive, até hoje, ela tem um papel importante nas exportações da África do Sul. Curiosamente, embora lembre uma flor de Alcachofra, a King Protea não é comestível e não há parentesco entre elas.
Com uma inflorescência que pode ter até 30 centímetros de diâmetro, as pétalas não são a parte que vai dos tons de rosa ao vermelho. Na verdade, essa é a coroa de brácteas, uma estrutura que protege as verdadeiras flores, que estão na parte central da coroa.
O Brasil não tem exemplares de Protea cynaroides de forma nativa, mas há um grande cultivo comercial no Nordeste.

A Protea cynaroides gosta de solos bem drenados e ácidos. Ela também adora o sol e aceita muito bem a luminosidade direta. Suas raízes são sensíveis, logo a King Protea precisa ser plantada com pelo menos 60 centímetros de profundidade no solo, para evitar ao máximo que ela sofra com possíveis perturbações que possam ter origem na superfície. A rega também não pode acontecer com muita frequência, no máximo uma vez por semana. Além disso, as folhas não podem ser molhadas.
Ficha Técnica:
- Principais nomes populares: King Protea
- Reino: Plantae
- Filo: Streptophyta
- Classe: Equisetopsida
- Subclasse: Magnoliidae
- Ordem: Proteales
- Família: Proteaceae
- Gênero: Protea
- Espécie: Protea cynaroides
- Origem: África do Sul
- Nativa no Brasil: Não
Referências
https://powo.science.kew.org/taxon/urn:lsid:ipni.org:names:705744-1
https://www.nature.com/articles/d44148-023-00121-3
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC10107735
https://www.cabidigitallibrary.org/doi/10.1079/cabicompendium.44737
https://www.bbc.com/travel/article/20190304-south-africas-flammable-floral-kingdom
https://figandbloom.com/blogs/news/fun-facts-about-king-proteas
https://thursd.com/articles/protea-is-natures-ancient-beauty
https://www.gov.za/about-sa/national-flower-0
https://www.escoladebotanica.com.br/post/protea
https://vejario.abril.com.br/coluna/paula-pizzi/flor-protea#google_vignette





