Se você acompanha o perfil do História da Planta há algum tempo, certamente você já leu aqui sobre as constantes mudanças de nomenclatura na Botânica. Com o avanço da tecnologia ao longo dos séculos, que tem permitido até mesmo análises genéticas das plantas, várias espécies passam por mudanças nos seus termos de classificação. Algumas, inclusive, mais de uma vez, o que lhes rendeu uma certa crise de identidade. É o caso do Manacá da Serra, que já trocou de nome científico 4 vezes.

Em seu primeiro registro, em 1829, o Manacá da Serra era cientificamente chamado de Melastoma mutabile, porém, em 1850, virou Lasiandra mutabilis. Em 1872, passou a ser Pleroma mutabile pela primeira vez, mas, em 1885, foi renomeado como Tibouchina mutabilis. De fato, se olharmos as plantas dos gêneros MelastomaTibouchina e Pleroma (o Lasiandra não existe mais), várias delas são muito parecidas estruturalmente, mas isso não é tudo.

O Manacá é do mesmo gênero da Quaresmeira, como se fossem “irmãs”

As várias semelhanças entre esses três gêneros fazem com que eles sejam da mesma família, a Melastomataceae. Porém, análises aprofundadas mostram que eles tiveram trajetórias evolutivas distintas. Nesse sentido, em 2018, uma revisão do gênero Tibouchina entendeu que várias de suas espécies eram, na verdade, muito mais próximas em termos evolutivos ao gênero Pleroma – uma delas a Tibouchina mutabilis. Assim, o Manacá da Serra voltou a ser Pleroma mutabile.

Mas, apesar das mudanças de nome, certas coisas nunca mudaram para o Manacá da Serra – entre elas, o seu comportamento e prestígio. Nativo do Brasil e encontrado principalmente na região Sudeste, ele é uma árvore típica de florestas de vegetação densa, como o bioma da Mata Atlântica. Alcançando de 5 a 10 metros de altura, apresenta ramos repletos de tricomas, “pelinhos” que auxiliam na absorção e retenção de água para aguentar o verão, quando costuma florescer.

O Manacá da Serra é importantíssimo para a Mata Atlântica

Inclusive, são as flores que fazem o Manacá da Serra ser tão querido e popular: quando surgem, elas são brancas, mas, conforme amadurecem, passam para o rosa até chegar a um roxo vivo. Essa metamorfose não é à toa: ela serve para indicar às abelhas, que são os seus principais agentes polinizadores, quais são as flores com maior quantidade de néctar. O epíteto mutabile de seu nome científico, aliás, faz justamente menção ao aspecto mutável de suas cores.

Por ter um crescimento relativamente rápido, o Manacá da Serra tem sido uma opção na recuperação da Mata Atlântica. Além disso, por ser uma árvore vistosa e suas raízes não agredirem a estrutura das calçadas, ele também tem sido muito utilizado no paisagismo das vias urbanas. Em casos de cultivo doméstico, exige luz plena do sol, solo sempre úmido e rico em matéria orgânica, com adubação mensal para garantir a floração.


  • Principais nomes populares: Manacá da Serra
  • Reino: Plantae
  • Filo: Streptophyta
  • Classe: Equisetopsida
  • Subclasse: Magnoliidae
  • Ordem: Myrtales
  • Família: Melastomataceae
  • Gênero: Pleroma
  • Espécie: Pleroma mutabile
  • Origem: Brasil
  • Nativa no Brasil: Sim (Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo)

Referências