No fantástico mundo das plantas, é comum que várias delas, pelo fato de pertencerem a um mesmo gênero, sejam conhecidas pelo mesmo nome popular, ainda que sejam de espécies diferentes. É o caso das plantas do gênero Bauhinia: são inúmeras as espécies popularmente chamadas de Pata de Vaca, por conta do formato de suas folhas. Porém, embora a maioria seja de origem asiática, uma delas é nativa do Brasil, a Bauhinia forficata, e é sobre ela que vamos falar hoje.

A Bauhinia forficata não é a única espécie do gênero Bauhinia nativa em terras brasileiras. Há várias outras, como a Bauhinia curvula e a Bauhinia subclavata, mas a Bauhinia forficata é uma das nativas mais famosas graças às suas comprovadas propriedades medicinais. A infusão das suas folhas, por exemplo, é comumente usada no tratamento da diabetes, da cistite e do colesterol alto, além de atuar de forma anti-inflamatória e até mesmo expectorante.

De modo geral, diversas comunidades vêm usando as espécies do gênero Bauhinia para fins medicinais desde a Pré-História. Porém, foi apenas no início do século 20 que a comunidade científica começou a estudar o seu uso farmacológico. A comprovação do potencial de redução dos índices glicêmicos da Bauhinia forficata, por exemplo, só veio em 1929. Entretanto, é importante que seu uso seja feito sob orientação médica, visto que, apesar de muito eficaz, a planta tem suas contraindicações.

O uso prolongado ou em altas doses do chá da Bauhinia forficata, por exemplo, pode agravar casos de hipoglicemia e de hipotireoidismo, além de alterar o funcionamento dos rins. Por falta de consenso sobre o uso por grávidas e crianças, também não há segurança na ingestão por gestantes, lactantes e nem pela criançada. Assim, ainda que possa ser um baita reforço no tratamento de diversas doenças, é importante ter acompanhamento médico.

Quanto ao seu uso paisagístico, não há restrições, sendo, inclusive incentivado. Isso porque a Bauhinia forficata é uma espécie melífera – ou seja, as suas flores produzem néctar, o qual irá alimentar, principalmente,  as abelhas. Essa oferta de comida para as pequeninas é fundamental na manutenção da biodiversidade, uma vez que, com o desmatamento, as abelhas, que são os principais agentes polinizadores da natureza, estão desaparecendo.

A Bauhinia forficata é uma importante aliada para a preservação das abelhas

Além disso, por apresentar uma boa capacidade de adaptação quanto aos tipos de solo, apesar de preferir os mais profundos e permeáveis, ela pode ser uma grande aliada na recuperação de áreas degradadas. Esse jeito flexível – ela também lida numa boa com períodos alternados entre chuvas e secas -, somado ao fato de ter um tronco estreito, de 30 a 40 cm de diâmetro, é uma das razões para ela ser tão usada na arborização das ruas.

Andando pelas ruas, inclusive, é bem comum ver Patas de Vaca com flores em tom de lilás. Nesse caso, há grandes chances de serem espécies asiáticas, uma vez que as brasileiras, entre as quais a nossa Bauhinia forficata, costumam ter cor branca. Também é comum ver seus frutos nas calçadas: eles podem até parecer com as vagens da Ervilha e do Feijão Verde, mas não é muito legal ingerir, uma vez que são extremamente amargos.


  • Principais nomes populares: Pata de Vaca
  • Reino: Plantae
  • Filo: Streptophyta
  • Classe: Equisetopsida
  • Subclasse: Magnoliidae
  • Ordem: Fabales
  • Família: Fabaceae
  • Gênero: Bauhinia
  • Espécie: Bauhinia forficata
  • Origem: Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai
  • Nativa no Brasil: Sim (Alagoas, Bahia, Pernambuco, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina)