Poucas plantas conseguem ser tão nostálgicas quanto uma Samambaia Americana. Ícone das casas de vó, ela também se faz presente das urban jungles ao estilo kitsch, entre muitas outra estéticas de decoração. Para além das memórias familiares, o seu forte apelo afetivo também vem do fato de ela ser originária das florestas tropicais e subtropicais da América (por isso o “Americana”), sendo encontrada de forma nativa em quase todo o Brasil.

A Samambaia Americana pode ser considerada um verdadeiro “fóssil” vivo. Isso porque ela surgiu há mais de 400 milhões de anos, sendo uma das espécies mais antigas do nosso planeta. Para se ter uma ideia do quão longa é a sua história, ela é anterior aos dinossauros, que surgiram há 252 milhões de anos e desapareceram há cerca de 65 milhões de anos – e sim, ela não só sobreviveu ao famoso meteoro, como também às muitas mudanças climáticas. Guerreira, não?

A Samambaia Americana tem mais de 400 milhões de anos

Esse êxito ao passar por tantas adversidades se deve à sua capacidade de se adaptar aos mais diferentes climas. Como ela não produz flores, frutos ou sementes (ela se reproduz a partir de esporos, que são aquelas várias bolinhas escuras ao longo das suas folhas), a sua estrutura é mais simples, demandando, assim, muito menos nutrientes e condições específicas. Isso permite que ela seja uma verdadeira camaleoa em termos de adaptação.

Além disso, ao longo do seu crescimento, a Samambaia Americana renova as suas folhas, descartando as mais antigas e produzindo novas, o que permite não só a sua manutenção da sua beleza, como também a sua longevidade. Em razão de tudo isso,  ela se tornou um símbolo de força resiliência e prosperidade: em várias culturas, ela é usada para atrair boa sorte e sucesso em abundância, o que a faz ser ideal para ser usada em espaços de trabalho.

O seu nome no Brasil tem origem no tupi: “Samambaia” significa “o que se torce em espiral”, em menção ao jeito como as suas folhas nascem. Por aqui, durante muitos anos, o vaso mais usado para tê-la em casa era o tradicional modelo suspenso feito de Xaxim, a fibra da planta Dicksonia sellowiana. Porém, como a espécie está em alto risco de extinção, a venda de Xaxim foi proibida. Em seu lugar, são usados os suportes de fibra de Coco.

Para ter uma belíssima Samambaia Americana em casa, é importante lembrar que elas não gostam de correntes de ar, porque elas secam as suas folhas. A mesma coisa com a iluminação: elas precisam ficar perto da janela, mas não podem pegar sol direto, para não queimarem ou ressecarem. É aí que começa o problema da rega: para evitar a desidratação, muita gente afoga a Samambaia de uma vez, mas é aí que ela morre. Por isso, o segredo é colocar o dedo no solo e regá-lo somente quando a parte de cima estiver quase seca, mas de baixo ainda estiver úmida.


  • Principais nomes populares: Samambaia Americana, Boston Fern
  • Reino: Plantae
  • Filo: Streptophyta
  • Classe: Equisetopsida
  • Subclasse: Polypodiinae
  • Ordem: Polypodiales
  • Família: Polypodiaceae
  • Gênero: Nephrolepis
  • Espécie: Nephrolepis exaltata
  • Origem: Bahamas, Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, Estados Unidos, Honduras, Jamaica, México, Nicarágua, Panamá e Porto Rico
  • Nativa no Brasil: Sim (Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina)