Pertencente à família Araceae, a mesma do Antúrio e da Costela de Adão, a Xanthosoma sagittifolium, também chamada de Taioba, é uma planta usada para decorar casas e jardins, mas também para enriquecer o sabor de pratos deliciosos. Podendo atingir até 2 metros de altura, ela é nativa das Américas Tropical e Equatorial e também é um alimento importante em diversas culturas, sendo apreciada do Brasil até a Malásia.

Não há uma unanimidade sobre quando a Taioba passou a ser domesticada, mas os pesquisadores concordam com o fato de que, apesar de ser nativa da América, o seu processo de cultivo teria iniciado na Ásia, o que explica o seu uso secular na culinária de países como China e Índia. E aí talvez você faça a seguinte pergunta: “Como ela foi parar lá?”. A resposta está no lento, porém constante movimento das chamadas placas tectônicas.

A superfície da Terra é formada por várias placas que formam os continentes. Ao longo dos 4,5 bilhões de anos do nosso planeta, essas placas se reuniram várias vezes, formando “supercontinentes”. Quando agrupados, as distâncias entre os territórios diminuíram bastante, permitindo que as plantas, com a ajuda dos ventos, das águas, dos insetos e animais, espalhassem suas sementes por regiões que hoje são distantes.

Assim, as ancestrais da Taioba que conhecemos hoje conseguiram chegar a diversas regiões e marcar presença em várias culturas. O sucesso entre povos tão diferentes se deve não apenas ao seu valor paisagístico, mas também ao fato de que ela é riquíssima em nutrientes como magnésio, fósforo, ferro, zinco, potássio e vitamina A. Por todo esse potencial nutritivo, a Taioba também desperta um grande interesse científico.

Em 2022, um projeto da USP sobre tecnologia alimentar chegou à segunda etapa do Deep Space Food Challenge, um desafio proposto pela NASA e pela Agência Espacial Canadense (CSA) com o objetivo de descobrir meios de proporcionar autonomia alimentar aos astronautas e redução da necessidade de ultraprocessados. Um dos alimentos escolhidos pelos pesquisadores para o projeto foi justamente a Taioba.

Enquanto ela não chega ao espaço, o seu consumo por aqui se dá principalmente a partir das suas folhas. Porém, é importante ter atenção para não cometer alguns equívocos que podem ser fatais. O primeiro erro é comê-la crua ou mal cozida: a Taioba tem oxalato de cálcio, substância que pode causar irritações e levar à asfixia. Assim, para consumi-la de forma segura, ela precisa passar por altas temperaturas.

A Taioba é rica em minerais e vitaminas, mas seu consumo demanda cuidados

Outro erro comum é confundi-la com a Colocasia esculenta: chamada de Taro, apenas o seu tubérculo é comestível. Uma das diferenças mais notórias entre elas é o pecíolo, cabo que liga a folha ao caule: no Taro, ele se liga ao meio da folha; na Taioba, à borda. Um terceiro equívoco é confundi-la com a Taioba Brava (Xanthosoma violaceum), mas também é fácil diferenciá-las: a “Mansa” é toda verde, enquanto a Brava tem tons de roxo.

A Taioba é uma planta bem fácil de cultivar, por se adaptar bem tanto à intensa luminosidade quanto à sombra. Entretanto, é importante que ela esteja em solos úmidos e longe do frio, pois as baixas temperaturas afetam o seu crescimento. Se estiver em condições ideais, com bastante matéria orgânica, ela produz muita folhagem nos primeiros 6 a 9 meses e pode dar origem a novos bebês em até 10 meses.


  • Principais nomes populares: Taioba
  • Reino: Plantae
  • Filo: Streptophyta
  • Classe: Equisetopsida
  • Subclasse: Magnoliidae
  • Ordem: Alistamales
  • Família: Araceae
  • Gênero: Xanthosoma
  • Espécie: Xanthosoma sagittifolium
  • Origem: Colômbia, Costa Rica, Equador, Panamá, Peru e Venezuela
  • Nativa no Brasil: Não