A Persea americana, o amado Abacateiro, é uma árvore que definitivamente pode ser chamada de imensa. Isso não só por causa do seu tamanho, visto que ela pode alcançar 20 metros de altura, mas também pela sua grande importância cultural para os povos da Mesoamérica, região que se estende do México aos países da América Central.

Importância histórica do Abacate
Antes de chegar à Mesoamérica, os ancestrais do Abacate rodaram bastante. Assim como insetos e animais ajudam as plantas a se espalharem pelo planeta, os próprios movimentos geológicos também as levam de um lugar para o outro. No caso da Persea americana, seus antecessores vieram da África. Porém, com os deslocamentos tectônicos, esses ancestrais foram migrando lentamente até se estabelecerem na Mesoamérica, há cerca de 50 milhões de anos.
Não há uma data precisa para a origem do Abacateiro, mas estudos arqueológicos desenvolvidos no vale de Tehuacan, no sudeste mexicano, indicam que a Persea americana era utilizada pelos povos originários da Mesoamérica desde pelo menos 8.000 a.C.. Por causa das suas propriedades nutritivas, como o alto teor de proteínas e de vitaminas, o Abacate garantiu um papel significativo na alimentação local.

Entre o povo Maia, essa importância pode ser notada no calendário civil – o Abacate representava o 14º mês -, mas também nas inscrições artísticas das tumbas de governantes, como Pacal, o Grande. Entre os Olmecas e os Incas, inclusive, há vestígios históricos que mostram que o Abacate era comumente usado de forma comercial, como moeda de troca entre os grupos.
A Europa só iria conhecer o Abacateiro a partir do século 16, com a colonização pelos espanhóis de territórios como México, Guatemala, Equador, Venezuela, Colômbia e Peru. Porém, nesse processo de subjugar os povos originários, muitas produções culturais Mesoamericanas foram destruídas pelos europeus, entre as quais várias representações do Abacate, tamanha a sua importância na construção da identidade local.
A polêmica nos Estados Unidos
Apesar de marcar grande presença nos brunches norte-americanos, a presença da Persea americana nos Estados Unidos é relativamente recente. Ela chegou ao território em 1833 e teve popularidade moderada, fazendo sucesso apenas onde existiam fazendas de abacate, como na Califórnia, na Flórida e no Havaí. Em outras áreas do país, os estadunidenses costumavam evitar o Abacate até a década de 1950, por um fato curioso: a sua fama de alimento afrodisíaco.

Por ser rico em gorduras insaturadas, que melhoram a circulação, e também em vitaminas do complexo B, que contribuem para a vitalidade e disposição, o Abacate ganhou essa fama. Porém, a comunidade científica nunca é comprovou esse efeito. Por causa desse um tabu junto aos conservadores, a fruta só foi se tornar popular na década de 1980, quando o seu valor nutricional a fez ser comum em dietas.
Já no Brasil, o Abacate foi em 1809, no Pará. Ele se adapta bem aos solos ricos em matéria orgânica, bem drenados, e em regiões de clima quente e úmido, com sol pleno. Por isso, se você quiser ter um abacateiro, é importante deixá-lo livre para crescer com bastante luz direta e sem que haja água acumulando em suas raízes.
Ficha Técnica:
- Principais nomes populares: Abacate, Abacateiro
- Reino: Plantae
- Filo: Streptophyta
- Classe: Equisetopsida
- Subclasse: Magnoliidae
- Ordem: Laurales
- Família: Lauracea
- Gênero: Persea
- Espécie: Persea americana
- Origem: Belize, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua
- Nativa no Brasil: Não
Referências
https://www.gbif.org/species/144106700
https://www.jardineiro.net/plantas/abacate-persea-americana.html
https://acta.inpa.gov.br/fasciculos/31-1/PDF/v31n1a01.pdf
https://abacatesdobrasil.org.br/abacates-do-brasil/#historia
https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/131654/1/abacateiroCIT.pdf
https://powo.science.kew.org/taxon/urn:lsid:ipni.org:names:325643-2
https://listologia.com/abacate-origem
https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/694244/1/abacateiroCIT.pdf








