Em toda virada de ano, pessoas do Brasil inteiro preparam seus vários rituais energéticos para atrair saúde, felicidade, prosperidade, entre muitas outras coisas boas. Com raízes nas religiosidades de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda, as tradições como o banho de descarrego costumam trazer uma protagonista pequenina, mas poderosa: a Arruda. Porém, ao contrário do que muita gente imagina, a sua história não começa na África, e sim na Europa.

A Arruda é nativa da Europa, e não da África

Pertencente à família Rutaceae, a mesma da Laranja e do Limão, a Arruda é nativa da região dos Balcãs, área do sudeste europeu que conta com países como Albânia e Bulgária. Porém, ela foi introduzida em diversos países ao redor do mundo, como Estados Unidos, Equador e África do Sul, no processo da colonização e das trocas comerciais. Isso porque, desde a sua terra natal, ela se tornou muito conhecida pelas suas características medicinais e energéticas.

Pelas suas propriedades analgésicas, antiinflamatórias, antiespasmódicas, entre outras, a Arruda é usada no tratamento de diversos problemas de saúde, como nevralgias, infecções renais e hepáticas, e muito mais. Além disso, com seu aroma característico e seu óleo essencial irritativo, ela é uma planta que afasta vários insetos, como as baratas, e também animais. Assim, ela ficou conhecida por “afastar os males”, o que lhe atribuiu um forte significado de proteção.

Enquanto na Grécia Antiga a Arruda era usada para afastar doenças, com a Idade Média ela passou a ser usada para quebrar feitiços e afastar más energias: era comum, na Europa medieval, que as casas tivessem ramos de Arruda pendurados nas janelas para impedir a entrada de espíritos malignos. Além disso, na Lituânia, por exemplo, as noivas costumavam usar coroas de arruda na celebração dos seus casamentos, para que o enlace fosse próspero.

Na Idade Média, acreditava-se que a tinha poderes mágicos – e, por isso, ela foi usada, ironicamente, na caça às bruxas

Da Idade Média para a Idade Moderna, a Arruda também esteve presente na caça às bruxas, perseguição às mulheres que desafiavam o monopólio masculino do conhecimento: usava-se um ramo amarrado à cintura para afastar as “feiticeiras”. Esse foi um exemplo de opressores se apropriando de saberes de uma cultura oprimida em benefício próprio, o que ainda acontece – é só pensar nas pessoas que atacam terreiros, mas usam branco na virada do ano.

Falando no Brasil, a Arruda chegou ao nosso país a partir do comércio de especiarias: na alimentação, ela faz parte, por exemplo, do berbere, uma mistura de condimentos muito utilizada como tempero na Etiópia e na Eritreia. Por aqui, além dos banhos energéticos, ela também ganhou lugar no chamado Vaso das 7 Ervas – Alecrim, Arruda, Comigo Ninguém Pode, Espada de São Jorge, Guiné, Manjericão e Pimenta -, cuja combinação protege as casas e atrai boas energias.

A Arruda é uma das plantas presentes no Vaso das 7 ervas

Se você já tentou ter uma Arruda, mas ela sempre morre, não necessariamente você está com energias ruins: muitas vezes, o ajuste necessário é na forma de cuidar da planta. A Arruda precisa de bastante sol, demandando de 4 a 6 horas de luz direta por dia. Com isso, ela vai sentir muita sede, mas suas raízes são bem sensíveis ao excesso de água, de modo que ela deve ser regada somente quando o substrato, que deve ser rico em matéria orgânica, estiver seco.


  • Principais nomes populares: Arruda
  • Reino: Plantae
  • Filo: Streptophyta
  • Classe: Equisetopsida
  • Subclasse: Magnoliidae
  • Ordem: Sapindales
  • Família: Rutaceae
  • Gênero: Ruta
  • Espécie: Ruta graveolens
  • Origem: Albânia, Bulgária, Macedônia do Norte, Montenegro, Sérvia, Turquia
  • Nativa no Brasil: Não

Referências