Originária da região do Mediterrâneo, principalmente da França, da Espanha e das ilhas Baleares, de onde se espalhou para o mundo todo, a Antirrhinum majus é uma espécie certamente fascinante. Muito conhecida no Brasil como Boca de Leão, ela é uma planta que cruza a história da humanidade de diversas maneiras, com episódios que vão da Grécia Antiga à Era Vitoriana, mas sempre trazendo em sua bagagem a mais famosa das suas simbologias: a proteção.

Pertencente à família Plantaginaceae, a mesma das Verônicas, no nosso país ela recebe o seu nome popular pela característica de sua flor, que tem um formato tubular quando fechada, mas que, ao ser pressionada, se abre como a boca de um leão. Porém, esse aspecto varia de lugar para lugar: na Grécia, a flor é vista como uma cabeça de cachorro, enquanto na Inglaterra ela é a face de um dragão, o que a levou a um de seus nomes mais populares mundo afora: “Snapdragon”.

A Boca de Leão é nativa do Mediterrâneo e da mesma família das Verônicas

Desde a Idade Antiga, a Boca de Leão é cultivada com fins ornamentais, mas também comerciais – suas fibras eram usadas para produzir tecidos – e até espirituais. Dioscórides, médico turco do século I d.C., assim como o naturalista romano Plínio, que viveu no mesmo período, aconselhava não só o uso de uma pulseira da planta, mas também esfregá-la pelo corpo, para afastar doenças e maus espíritos. Na mesma época, na Rússia, o óleo essencial da Boca de Leão também era usado: ele era ingerido para aumentar a vitalidade.

Posteriormente, na Idade Média, ela continua a ser usada para proteção – no caso, para quebrar feitiços. Porém, ao chegar na Renascença, período que retomava aspectos da cultura greco-romana, ela ganha um novo significado: por ter uma aparência que remete a um cetro de majestade, a Boca de Leão passa a ter a simbologia de glória, honra e status social, o que a levou a um destaque importante entre as flores usadas na decoração e nas festas das cortes.

Chegando à América do Norte com os colonos europeus, a Boca de Leão passou a fazer parte de diversas regiões dos Estados Unidos, sendo conhecida pelo nome popular de Snapdragon. Era inegavelmente uma das favoritas de Thomas Jefferson, terceiro presidente do país, que a cultivava em seu jardim, no século 18. Já na Era Vitoriana, na Inglaterra do século 19, receber um buquê de Boca de Leão simbolizava profundo interesse e indicava que em breve haveria uma proposta de casamento.

A Boca de Leão era uma das plantas preferidas de Thomas Jefferson

Atualmente, apesar de utilizada na fabricação de medicamentos por suas propriedades antiinflamatórias, e também na indústria química, para a obtenção de corantes, o uso mais destacado da Antirrhinum majus é para fins ornamentais e paisagísticos, pela beleza de sua flor. Para cultivá-la, ela precisa de pelo menos 4 horas de sol direto, água quando o solo estiver seco, riqueza de matéria orgânica e boa drenagem. Além disso, ela precisa de proteção ao frio – o ar-condicionado, por exemplo, é um perigo para ela.


  • Principais nomes populares: Boca de Leão
  • Reino: Plantae
  • Filo: Streptophyta
  • Classe: Equisetopsida
  • Subclasse: Magnoliidae
  • Ordem: Lamiales
  • Família: Plantaginaceae
  • Gênero: Antirrhinum
  • Espécie: Antirrhinum majus
  • Origem: Espanha e França
  • Nativa no Brasil: Não