Nativa da América Latina, em países como Brasil, Colômbia, Cuba e México, a Dormideira é uma planta que marca as memórias afetivas de muita gente. Isso porque, entre os baixinhos e os altinhos, é difícil encontrar quem não se fascine pelo comportamento das suas folhas, que se fecham quando são tocadas. Chamada de Sismonastia ou Tigmonastia, essa característica pode até dar a impressão de que ela seria uma planta acanhada, mas não é bem assim.

Com o nome científico Mimosa pudica (o Mimosa vem de “mímica” e o pudica significa “tímida”), em várias culturas a Dormideira é vista como a “planta da humildade” ou “planta da vergonha”. Porém, essa aparente timidez é apenas um disfarce diante da ameaça de possíveis predadores: quando tocada, sinais elétricos são disparados para que a água se desloque das folhas, de modo que elas se recolham e a estrutura da planta não chame a atenção de quem possa atacá-la.

A Dormideira fecha as suas folhas para se proteger de predadores

Pertencente à famosa família Fabaceae, a mesma de plantas como a Lentilha e o Feijão, a Dormideira foi catalogada pela primeira vez em 1753, mas o primeiro estudo sobre os seus movimentos é datado de 1665. Robert Hooke, autor da investigação, achava que esses movimentos poderiam ser oriundos de nervos semelhantes aos dos animais, ou do movimento forçado pelo fluxo de água, em consequência da pressão do toque na planta, mas não que ela poderia “sentir” algo.

Porém, no mesmo período, havia na comunidade científica quem acreditasse que ela poderia sim, de alguma forma, ter sensibilidade – aliás, não só ela, mas outras que também se fecham. Para resolver a questão, o botânico francês René-Louiche Desfontaines, no final do século 18, decidiu realizar um experimento: levar um exemplar da espécie para um “passeio de carruagem”, para analisar como a Dormideira reagiria ao movimento.

No início, a Dormideira “dormiu”, mas, conforme o passeio continuava, ela abria as folhas como antes, fechando apenas se houvesse uma mudança no padrão da agitação da carruagem. Assim, o botânico concluiu que ela se acostumava ao ritmo do movimento. Hoje se sabe que essa e outras reações acontecem porque, apesar de não terem sistema nervoso, as plantas emitem sinais elétricos que ajudam em diversas situações, como a de identificar e se proteger de ameaças.

Apesar da fama de tímida, a Mimosa pudica está longe de ser acanhada nas suas incontáveis propriedades medicinais. Ela tem uma lista bem longa: é analgésica, antibacteriana, antiinflamatória, anticonvulsiva, antidepressiva, antiasmática, sedativa, purgativa e muito mais. No Senegal, por exemplo, as folhas são usadas para doenças como lombalgia e nefrite, enquanto, na Índia, a seiva da Dormideira é usada no tratamento de inflamações e feridas.

O uso da Dormideira precisa de acompanhamento profissional, pois, em altas doses, pode causar efeitos laxativos e outros irritações

Para cultivá-la, é importante saber que a Dormideira gosta de luminosidade e de bastante água. Por conta disso, deve ficar em solo bem drenado, que misture argila, turfa e areia, por exemplo, para evitar o apodrecimento das raízes. Apesar de ser perene – ou seja, pode viver por muito tempo -, a Mimosa pudica é suscetível ao ataque de ácaros vermelhos, cochonilhas e tripes, o que demanda que ela esteja com os nutrientes em dia para que possa fica bem.


  • Principais nomes populares: Dormideira
  • Reino: Plantae
  • Filo: Streptophyta
  • Classe: Equisetopsida
  • Subclasse: Magnoliidae
  • Ordem: Fabales
  • Família: Fabaceae
  • Gênero: Mimosa
  • Espécie: Mimosa pudica
  • Origem: Antígua e Barbuda, Bahamas, Belize, Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Cuba, República Dominicana, Equador, El Salvador, Granada, Guatemala, Guiana, Guiana Francesa, Haiti, Honduras, Jamaica, México, Nicarágua, Peru, Porto Rico, Santa Lúcia, São Cristóvão e Neves, Reino Unido, Suriname, Trinidad e Tobago, e Venezuela
  • Nativa no Brasil: Sim (Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Sergipe, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina)

Referências