Nativa de países como Nigéria e Tanzânia, a Espada de São Jorge é uma das plantas mais populares no Brasil. De nome científico Dracaena trifasciata, ela ganhou o seu nome popular no contexto do violento tráfico de africanos para o Brasil durante o período colonial e imperial.

De acordo com estudos do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), ela chegou aqui por meio dos grupos de escravizados.

Isso aconteceu porque os escravizados responsáveis pela alimentação nos navios levavam mudas da planta entre os alimentos, com a justificativa de que as suas fibras poderiam ser usadas para confeccionar cordas. Como ela sempre fora associada à proteção, a ideia era que ela os ajudasse a sobreviver à violenta jornada.

A Espada de São Jorge, originalmente, é a Espada de Ogum, o orixá guerreiro

Para as religiões de matriz africana, essa ideia de proteção está associada a Ogum, o orixá guerreiro, que domina o ferro e as lutas da vida. Porém, como não podiam praticar suas crenças de forma livre, os africanos aqui escravizados adotavam santos católicos como representantes de seus orixás. São Jorge, que era entendido como um grande guerreiro, foi o escolhido para simbolizar Ogum.

Nesse esforço de preservação das tradições, muitas vezes as imagens originais dos orixás ficavam por trás das católicas nos altares criados pelos escravizados. Nesse sentido, naqueles altares voltados para Ogum e São Jorge, era comum ver a Dracaena trifasciata, também chamada, inclusive, de Espada de Ogum e simboliza a espada de ambos. No contexto escravocrata, a planta era, assim, uma proteção em meio a um sistema que violentava física, emocional e culturalmente.

Com o passar dos séculos, mesmo com as ofensivas tentativas de embranquecimento das tradições negras e a perseguição às religiões de matriz africana, como o Candomblé, a Dracaena trifasciata manteve suas raízes culturais na rotina das pessoas. Isso porque até quem torce o nariz para os terreiros não abre mão de ter a planta perto da porta de casa ou da janela, para afastar energias negativas – isso quando não a usam em rituais “no sigilo”.

De fato, ela é uma planta que protege de muita coisa ruim. Um estudo feito na década de 1980 pela NASA mostrou que a Dracaena trifasciata é capaz de absorver diversas toxinas provenientes da poluição atmosférica, como benzeno, xileno, formaldeído e tolueno. Também existe a ideia de que ela não poderia ficar dentro de casa, por ter uma energia “combativa”, “agressiva”, mas basta equilibrá-la com outras plantas, como o Lírio da Paz.

Dracaena trifasciata é capaz de absorver diversas toxinas provenientes da poluição atmosférica

Como uma boa guerreira, ela é resistente nas mais diversas condições. Em primeiro lugar, ela pode ficar tanto no sol direto quanto em ambientes internos e também não precisa de regas frequentes: água uma vez por semana já a deixa bem feliz. Ela também se adapta tanto nos solos mais férteis quanto nos mais pobres e não precisa de adubação com frequência, de modo que uma ou duas vezes por ano para estimular a florada é suficiente.

Sim, ela dá flores! Pequenas, brancas e delicadas, desabrocham à noite, soltando um perfume suave e muito agradável. Seus frutos são bolinhas de um tom de laranja bem forte, mas, apesar de lindos, não podem ser consumidos. Na verdade, nenhuma parte da Dracaena trifasciata é comestível, tanto para os animais de estimação quanto para os humanos. Suas belas flores, por exemplo, podem gerar sérias irritações na pele.

A Espada tem belíssimas florzinhas delicadas

Com um ciclo de vida longo, a Dracaena trifasciata pode embelezar o seu lar, proteger a sua jornada e também melhorar a sua respiração por muitos e muitos anos. Porém, pela sua própria origem, jamais vai combinar com intolerância, discriminação, perseguição ou qualquer forma de violência a um povo, fé ou cultura. Ela representa respeito, assim, se você a tiver em casa, esse valor é o mínimo que ela espera de você.


  • Principais nomes populares: Espada de Ogum, Espada de São Jorge
  • Reino: Plantae
  • Filo: Streptophyta
  • Classe: Equisetopsida
  • Subclasse: Magnoliidae
  • Ordem: Asparagales
  • Família: Asparagaceae
  • Gênero: Dracaena
  • Espécie: Dracaena trifasciata
  • Origem: Camarões, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Guiné Equatorial, Gabão, Nigéria e Tanzânia
  • Nativa no Brasil: Não

Referências