Flor nacional da Índia e do Vietnã, a Nelumbo nucifera, popularmente conhecida como Flor de Lótus, é uma planta com mais de 100 milhões de anos de história. Diversos estudos, dentre eles um desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pela Universidade Federal do Ceará (UFC), constataram que a espécie é uma verdadeira relíquia evolutiva, uma vez que ela teve poucas mudanças desde o seu surgimento até os dias de hoje.

Nelumbo nucifera faz parte da pequena família Nelumbonaceae, composta apenas por ela e pela Nelumbo lutea. Porém, enquanto a Nelumbo lutea – com tons de branco e amarelo – é conhecida como Lótus Americana, por se estender do leste da América do Norte até o começo da América do Sul, a Nelumbo nucifera – que mistura tons de branco e rosa – é comumente conhecida como Lótus Asiática, por se distribuir na Ásia e no norte da Oceania.

Embora seja muito confundida com as plantas da família Nymphaeaceae, como a Vitória Régia e os Lírios da Água, a Nelumbo nucifera e sua “irmã” não têm nenhum parentesco com elas. Inclusive, pesquisas moleculares recentes indicaram que a Flor de Lótus tem um cruzamento de linhagem com os Plátanos (Platanaceae) e as Proteas (Proteaceae), indicando que a ancestral da Flor de Lótus de hoje era, provavelmente, uma planta terrestre que se adaptou às águas.

Com origem no Cretáceo, quando os dinossauros ainda estavam na Terra, a Lótus conseguiu chegar até aqui por vários fatores. Em primeiro lugar está o seu fruto, cujo alto teor de polissacarídeos e taninos ajuda a proteger as sementes. Conforme o fruto amadurece, elas ficam repletas de antioxidantes, os quais ajudam na manutenção das termoproteínas para uma temperatura estável. Tudo isso faz com que as suas sementes consigam germinar mesmo depois de mil anos!

Outro ponto que a ajudou foi o fato de que, por ser uma planta totalmente comestível – sim, até as suas folhas podem ser refogadas e virar sopa -, as suas sementes foram armazenadas e cultivadas pelos antigos humanos inclusive durante o resfriamento do planeta, num raro caso em que a humanidade deu close certo com a natureza. Assim, essa longevidade abriu os caminhos para que a Lótus representasse a resiliência e a fertilidade em muitas culturas.

A Flor de Lótus é totalmente comestível

Além do profundo significado religioso no hinduísmo e no budismo, a Lótus também simboliza beleza e divindade. Isso porque, por ter características termogênicas nas suas flores, elas conseguem manter a própria temperatura em torno de 30°C mesmo quando o termômetro despenca. Assim, a planta consegue preservar a floração e a beleza de cada uma das suas flores. Além disso, a Nelumbo nucifera também é igualmente celebrada pela sua pureza, aspecto explicado pela impermeabilidade de suas folhas.

Cada folha apresenta cerca de 2 milhões de estruturas cerosas microscópicas que fazem com que a superfície seja impermeável. Assim, as gotas de água rolam facilmente e removem a sujeira, em um fenômeno de autolimpeza chamado de “efeito Lótus”. Esse efeito ganha destaque quando lembramos que a planta cresce da lama dos lagos, pântanos e campos inundados, mas não fica “suja”. Ao seu nutrir, ela também remove o excesso de resíduos das águas, equilibrando o ambiente.

O Efeito Lótus inspirou diversas criações ao redor do mundo, como os tecidos impermeáveis

Além de todas essas habilidades, um estudo desenvolvido na Índia, pelo Arihant School of Pharmacy & Bio-Research Institute, mostrou que a Nelumbo nucifera também possui várias atividades farmacológicas notáveis, com grande destaque para o potencial anticoagulante, que já era conhecido pela medicina chinesa há séculos. Com tudo isso, não à toa, a Flor de Lótus conquistou um lugar especial na cultura e em diversos jardins mundo afora.


  • Principais nomes populares: Flor de Lótus
  • Reino: Plantae
  • Filo: Streptophyta
  • Classe: Equisetopsida
  • Subclasse: Magnoliidae
  • Ordem: Proteales
  • Família: Nelumbonaceae
  • Gênero: Nelumbo
  • Espécie: Nelumbo nucifera
  • Origem: Armênia, Austrália, Azerbaijão, Bangladesh, Camboja, China, Filipinas, Geórgia, Índia, Indonésia, Irã, Japão, Laos, Malásia, Mianmar, Nepal, Papua Nova-Guiné, Paquistão, Rússia, Sri Lanka, Tailândia, Ucrânia e Vietnã.
  • Nativa no Brasil: Não

Referências


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