De queridinha dos deuses à vilã dos jardins, a Hedera helix, conhecida como Hera, é uma trepadeira europeia. Segundo a mitologia, Dionísio e Baco, deuses do vinho nas culturas grega e romana, adoravam a planta. Dotada de muitas propriedades medicinais – a Hera de fato é usada hoje em vários anti-inflamatórios, por exemplo – havia a crença de que usar a coroa de seus ramos evitaria a ressaca. Assim, as representações artísticas mostram os dois deuses usando essa coroa.

Dos casamentos à Ivy League: o simbolismo da Hera
Muito adaptável às condições ambientais, sempre firme na superfície em que se agarra e capaz de atingir até 30 metros de altura, a Hera também simbolizava a flexibilidade, a fidelidade e a longevidade esperadas no amor. Assim, era comum vê-la na decoração de casamentos e na grinalda das noivas do período medieval.
A partir do século 17, a planta adquire também um prestígio intelectual, já que ela cobre os muros e prédios das oito principais universidades dos EUA: Harvard, Yale, Pensilvânia, Princeton, Columbia, Brown, Dartmouth e Cornell. Por isso, em 1954, elas se reuniriam na Ivy League, uma conferência esportiva universitária. “Ivy” significa “Hera” em inglês.

Dos casamentos à Ivy League: o simbolismo da Hera
Mas se o prestígio intelectual vem nos Estados Unidos, também é lá que começa a sua derrocada. Isso porque, no território americano, ela passa a ser muito confundida com a Hera Venenosa (Toxicodendron radicans). Porém, enquanto a Venenosa causa fortes irritações já no primeiro toque, a Hedera helix só é tóxica quando é ingerida.
Também é nos Estados Unidos que ela perde o protagonismo no Natal: até meados do século 20, ela era a protagonista nas guirlandas, e não o Azevinho e Visco, que hoje são as principais plantas natalinas.
Os europeus sempre tiveram cuidado com a poda da planta, por saberem que ela cresce bastante. Porém, fora da Europa, o expansionismo da Hedera helix nos jardins foi malvisto, de modo que ela passou a ser evitada fora dos vasos. Isso se deve, em grande parte, ao fato de que espalhou-se a fake news botânica de que a Hera é uma planta parasita, mas isso não é verdade: ela tem um sistema radicular separado no solo e, portanto, absorve seus próprios nutrientes e água conforme necessário.
Injustiçada por seu espírito de protagonista, a verdade é que a Hedera helix é uma das plantas mais fáceis de cuidar. Gosta do ambiente interno, se adapta a diversos solos e merece muito um espacinho na sua urban jungle ou no seu jardim.
Ficha Técnica:
- Principais nomes populares: Hera, Ivy
- Reino: Plantae
- Filo: Streptophyta
- Classe: Equisetopsida
- Subclasse: Magnoliidae
- Ordem: Apiales
- Família: Araliaceae
- Gênero: Hedera
- Espécie: Hedera helix
- Origem: Albânia, Alemanha, Áustria, Bélgica, Bielorrússia, Bulgária, Dinamarca, Escócia, Espanha, Estônia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Inglaterra, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Noruega, País de Gales, Polônia, Portugal, República Tcheca, Romênia, Rússia, Suécia, Suíça, Turquia, Ucrânia
- Nativa no Brasil: Não
Referências
https://www.theguardian.com/lifeandstyle/gardening-blog/2013/dec/31/ivy-christmas
https://www.petalrepublic.com/ivy-flower
https://www.inaturalist.org/taxa/55882-Hedera-helix
https://www.woodlandtrust.org.uk/trees-woods-and-wildlife/plants/wild-flowers/ivy
https://www.nrscotland.gov.uk/research/archivists-garden/index-by-plant-name/rock-ivy
https://www.thejoyofplants.co.uk/ivy
https://www.escoladebotanica.com.br/post/hera_cultivo








