Se as memórias da sua infância são repletas de quintais, subidas em árvores e joelhos ralados, é difícil não sentir um quentinho no coração ao ver um belo pé de Jabuticaba. De nome científico Plinia cauliflora, a Jabuticabeira é uma das plantas mais queridas e importantes na cultura brasileira, tendo um lugar especial no coração e no paladar do Brasil desde muito antes de Cabral e companhia invadirem o nosso território em 1500.

A Jabuticaba faz parte da nostalgia de muitos brasileiros

Pertencente à família Myrtaceae – que inclui outras plantas muito amadas em terras brasileiras, como a Goiaba, o Jambo e a Pitanga -, a Jabuticaba é original da América do Sul, sendo encontrada de forma nativa em países como Bolívia, Argentina, Paraguai e Brasil. Por aqui, ela se destaca principalmente na Bahia, Pernambuco, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná, e seu nome tem origem indígena.

Há três explicações mais comuns para a Jabuticaba ter esse nome, mas todas têm raízes em variações do Tupi. Em primeiro lugar, seria a de que Jabuticaba viria de “ïapotï’kaba”, que significaria “fruta em formato de botão”. A segunda seria a união dos termos “jabuti” (tartaruga) e “kaba” (lugar), que significaria “lugar das tartarugas”, em referência ao local onde a árvore apareceria; o terceiro seria “gordura de tartaruga”, referindo-se à polpa branca.

Porém, se é uma planta com história indígena, por que seu nome científico não faz menção a isso?

Durante muito tempo, as principais personalidades da botânica eram europeias. Isso influenciou não só a convenção de que nomes científicos devem ser escritos em latim, mas também a representação dessas plantas, bem como a criação de relações culturais novas, como a homenagem à rainha Vitória feita com a Vitória-Régia, que já contamos aqui.

Assim, isso teve como consequência o apagamento de culturas na trajetória das plantas. Vamos pegar a própria Jabuticaba, Plinia cauliflora, como exemplo. Embora o epíteto cauliflora seja uma menção às flores que nascem no caule da Jabuticabeira, o gênero Plinia, formado apenas por plantas nativas das Américas Central e do Sul, é assim chamado em homenagem ao filósofo e naturalista romano Plínio, o Velho, que viveu no começo da era cristã.

Preservar a memória das plantas é também preservar a cultura de diversas comunidades ao redor do mundo

Com mais incentivo à ciência brasileira, principalmente no que diz respeito à diversidade, além de uma maior representatividade para a história das nossas plantas, mais pessoas poderiam conhecê-las melhor. Saber, por exemplo, que a Jabuticaba não é só gostosa, mas também nutritiva: rica em compostos antioxidantes e anti-inflamatórios – a Jabuticabina é exclusiva dela -, ela também tem muito ferro, cálcio, vitamina C e vitaminas do complexo B.

Para ter essa preciosidade em casa, é importante lembrar que a natureza tem não só um ritmo, mas também necessidades diferentes das nossas. Por exemplo, a Jabuticabeira pode demorar até 10 anos para dar frutos. Embora no ambiente natural ela possa crescer de 10 a 15 metros de altura, é difícil que ela passe dos 2 metros se estiver em um vaso – e não seria culpa sua, é a limitação do espaço mesmo. Além disso, ela gosta de pelo menos 4 horas diretas de sol, além de rega diária.


  • Principais nomes populares: Jabuticaba
  • Reino: Plantae
  • Filo: Streptophyta
  • Classe: Equisetopsida
  • Subclasse: Magnoliidae
  • Ordem: Myrtales
  • Família: Myrtaceae
  • Gênero: Plinia
  • Espécie: Plinia cauliflora
  • Origem: Brasil
  • Nativa no Brasil: Sim (Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina)

Referências