Hyacinthus orientalis é a espécie mais famosa do gênero Hyacinthus. Comumente chamada de Jacinto, durante muito tempo acreditou-se que ela pertencia à família dos lírios, a Liliaceae, mas pesquisas genéticas o reclassificaram como pertencente à família Asparagaceae, a mesma da Espada de São Jorge. Originária do Mediterrâneo, do Oriente Médio e do sudoeste da Ásia, de países como Turquia, Líbano e Palestina, a sua jornada envolve uma história de amor, mas também ciúmes e muito mais.

Tanto o seu nome científico quanto o popular têm origem na mitologia grega. Isso porque Hyacinth (Jacinto) era o nome de um jovem grego amante de Apolo. Segundo uma das narrativas sobre romance entre os dois, Jacinto também era alvo do amor de Zéfiro, o Deus dos Ventos do Oeste. Assim, durante uma disputa de lançamento de disco, Zéfiro, enciumado, teria manipulado o vento para que este desviasse o disco de seu curso, atingindo Jacinto na cabeça e matando-o.

A morte de Jacinto, do pintor russo Alexander Kiselyov

Desesperado, mas também temendo que a alma do amado fosse tomada por Hades, Deus dos Mortos, Apolo transformou as gotas de sangue de seu amor nas flores azuis que seriam os Jacintos. Ironicamente, milênios mais tarde, entre 1985 e 1987, na Polônia, houve a chamada Operation Hyacinth, quando milhares de homossexuais foram presos injustamente sob justificativas como a “contenção do HIV”. Porém, a real intenção dos policiais envolvidos era chantagear e extorquir a comunidade LGBTQIAPN+. A história, inclusive, é o tema do filme Entre Frestas, disponível na Netflix.

Voltando à planta, acredita-se que ela foi cultivada pela primeira vez na Europa pelos antigos gregos e romanos, pois há menções a ela em escritos de Homero, Ovídio, entre outros autores da época. Porém, os primeiros registros de cultivo na região são do século 16, coincidindo com a expansão do Império Otomano. Inclusive, pela facilidade de transporte, os bulbos de Jacinto foram muito importantes na prosperidade do Império, entre os anos 1500 e 1700.

Com sua beleza e perfume, os Jacintos se destacaram na França. Nesse sentido, no século 18, graças à enorme influência de Madame de Pompadour, amante do rei Luís XV, os jardins do Palácio de Versalhes receberam inúmeros Jacintos, que ficavam em copos específicos para estimular a floração. Em 1759, ela chegou a ter 200 copos expostos. Criadora de tendências da moda, ela fez com que a planta se tornasse uma febre e sinônimo de estilo e elegância.

Retrato de Madame de Pompadour, por François Boucher

Quando se fala em estimular o bulbo a florescer, significa realizar um processo em que o bulbo é privado de luz e calor por aproximadamente três meses, para, em seguida, cultivá-lo em um local adequado para a floração. Esse é o segredo para a sobrevivência do Jacinto, que tenta se esconder ao máximo no solo durante o inverno, mas reaparece logo no começo da primavera no Hemisfério Norte. Como a chegada da estação coincide com o Ano Novo Persa, a planta também é considerada sinônimo de beleza, alegria e abundância.

Disponível em várias cores – embora a versão selvagem ficasse entre os tons de lilás e azul -, para ter um Jacinto em casa é preciso lembrar que ele precisa de temperaturas amenas, solos ricos e bem drenados, sol pleno e também regas que devem acontecer pelo menos uma vez por semana, para garantir umidade constante. Os bulbos de planta devem ser plantados com cerca de 10 a 15 centímetros de profundidade e 10 a 15 centímetros de distância entre um e outro. No Brasil, as regiões serranas são as mais adequadas para o seu cultivo.

O Jacinto precisa de temperaturas muito amenas para estar bem

  • Principais nomes populares: Jacinto
  • Reino: Plantae
  • Filo: Streptophyta
  • Classe: Equisetopsida
  • Subclasse: Magnoliidae
  • Ordem: Asparagales
  • Família: Asparagaceae
  • Gênero: Hyacinthus
  • Espécie: Hyacinthus orientalis
  • Origem: Iraque, Líbano, Palestina, Síria, Turquia
  • Nativa no Brasil: Não

Referências