Acmella oleracea, popularmente conhecida como Jambu, é uma das maiores paixões da cultura nortista. Encontrada principalmente no Brasil, Guianas, Colômbia e Venezuela, é uma planta de ciclo de vida longo, que pode chegar aos 40 centímetros de altura e que conquista corações ao redor do mundo não apenas pelo seu uso culinário, mas também pelas suas diversas propriedades medicinais – inclusive as de caráter mais “íntimo”.

A partir da presença europeia na Amazônia, a espécie foi introduzida nos mais diversos territórios, como Guiné, na África Ocidental, e Taiwan, na Ásia Oriental, ambos colonizados pelos portugueses. Sua adaptação relativamente rápida por onde passou se deveu ao fato de que a espécie se multiplica tanto por sementes como por hastes enraizadas. Além disso, ela cresce em um ritmo bem acelerado, entrando na fase reprodutiva apenas 39 dias após ser semeado.

Apesar de ser mais conhecido por compor pratos como o tacacá e o pato no tucupi – e, mais recentemente, bebidas alcoólicas, que vão desde drinks até a sua popular cachaça – o uso do Jambu vai além do paladar. Isso porque a sabedoria dos povos indígenas também soube reconhecer as suas propriedades medicinais, principalmente o seu efeito anestésico, muito útil no tratamento, por exemplo, de dores de dente.

O Jambu é um dos ingredientes principais do Tacacá

Adotado, assim, pela indústria farmacêutica, hoje o Jambu é utilizado como uma matéria prima de medicamentos analgésicos, antibacterianos, antifúngicos, anti-inflamatórios, antigripais e até na composição de cremes dentais. Um dos seus grandes trunfos, inclusive, é o espilantol, substância anestésica responsável pela sua famosa tremedeira e que o torna um ingrediente ímpar na criação até mesmo de lubrificantes íntimos.

Jambu afrodisíaco

Segundo a cultura popular, o Jambu promoveria um aumento da excitação feminina por estimular a atividade contrátil na vulva. Para confirmar se isso seria verdade, um estudo foi desenvolvido em 2008 na Universidade Federal do Ceará. Contando com 22 casais héteros (lembre-se que era 2008) na faixa dos 40 anos, a pesquisa mostrou que, de fato, o Jambu pode ser um estimulador – e não apenas para as mulheres.

No estudo, metade dos casais fez uso da pomada de Jambu nas relações sexuais, enquanto a outra metade usou um placebo. Tendo o Índice Internacional de Função Erétil (IIEF) e o Índice de Funcionamento Sexual Feminino (FSFI) como parâmetros, descobriu-se se que o desejo e a satisfação no grupo Jambu foram muito maiores, e não só para as mulheres, mas também para os homens. Pesquisas posteriores no Brasil e em outros países, como a Índia, reiteram os resultados.

O espilantol é substância anestésica responsável pela famosa tremedeira do Jambu

Seja como alimento, cachaça medicamento ou lubrificante, o Jambu tem lugar garantido no coração da população da Amazônia. Formando uma dupla imbatível com o tucupi, líquido extraído da mandioca brava, ele é tema de inúmeras manifestações artísticas na região. Das músicas às tatuagens, o Jambu é daquelas plantas que quem ama vai defender com unhas e dentes. Por sua história, sabor e tremor, ela é, de fato, uma das mais inesquecíveis.


  • Principais nomes populares: Jambu
  • Reino: Plantae
  • Filo: Streptophyta
  • Classe: Equisetopsida
  • Subclasse: Magnoliidae
  • Ordem: Asterales
  • Família: Asteraceae
  • Gênero: Acmella
  • Espécie: Acmella oleracea
  • Origem: Brasil, Colômbia, Guianas e Venezuela
  • Nativa no Brasil: Sim (Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina)