Leais, independentes, fortes e generosas: quem nasce sob o signo de Touro leva consigo características muito nobres. Porém, curiosamente, as lembraças sobre as pessoas Taurinas costumam ser outras: o apego ao luxo e ao conforto. Sim, é verdade que elas amam estar rodeadas por toda a pompa e grandeza, mas elas também têm um coração imenso. Por isso, elas têm tudo a ver com os Lírios, flores associadas à riqueza, mas também à bondade e à pureza.

As mais de 100 espécies de Lírios – pertencentes ao gênero Lilium  – surgiram nas regiões de clima temperado do hemisfério norte, em especial nas montanhas da Ásia Oriental. Há milênios, assim como as Taurinas, elas são simultaneamente associadas à ideia de riqueza, mas também de generosidade. No Egito Antigo, por exemplo, elas eram usadas como oferendas em homenagens a Ísis, a divindade da maternidade e da fertilidade, mas também usadas para fins medicinais. Além disso, são tão generosas que se multiplicam espontaneamente a partir de novos bulbos.

Por sua beleza e perfume, os Lírios eram usados pelas noivas na Grécia e na Roma Antigas, como símbolo de fertilidade. Os romanos os usavam também dentro de colchas e travesseiros, por causa do seu aroma sedutor. Assim, os Lírios viraram sinônimo de fazer amor, o que combina  com a sensualidade de Touro. Porém, segundo a mitologia grega, o Lilium surge indiretamente de uma traição, algo que Taurinos não perdoam: quando Zeus tentou obrigar Hera a amamentar Hércules, seu filho com outra mulher, o leite da deusa teria caído no chão e originado os Lírios.

Os Lírios faziam parte da cultura das noivas na Grécia e na Roma Antigas, como símbolo de fertilidade

Entre os Lírios mais famosos, estão o Lilium longiflorum (Lírio da Páscoa) e o Lilium candidum (Lírio Madonna), muito ligados ao catolicismo. O primeiro, com seu formato de trombeta, seria a mensagem de que Jesus ressuscitou – e os Lírios, de fato, “ressuscitam”: determinados como Taurinos, alguns de seus bulbos podem até adormecer por muito tempo, mas renascem e florescem. Por isso, ela é uma espécie muito usada no luto.

Já o Lilium candidum (Lírio Madonna), é associado à Virgem Maria (por isso o “Madonna”). Ele aparece em pinturas nas quais o anjo Gabriel oferece para Maria um ramo de Lírios, simbolizando a sua pureza e castidade. A planta também aparece em representações da Virgem diante do sofrimento imposto à Cristo, representando devoção. Não à toa, a mãe de Harry Potter, que deu a vida pelo filho, era “Lilian”, cujo nome tem origem no termo Lilium.

A Anunciação, tela de Piermatteo D’Amelia

Flor nacional da Itália e presente no emblema do país, o Lilium candidum também foi uma inspiração para a Flor de Lis, a representação estilizada dos Lírios que foi usada por séculos pela monarquia francesa. No século 9, a pedido do imperador Carlos Magno, a espécie era a primeira na lista de plantas que deveriam ser cultivadas. Uma Taurina muito majestosa.

Em muitas tradições afro-brasileiras, o Lírio branco também é uma importante oferenda para Iemanjá. Isso porque, além de ser a Rainha do Mar e considerada a mãe de todos os Orixás, ela também simboliza a fertilidade, a pureza de espírito e a força das mulheres. Essa característica também dialoga com os Lírios: eles têm raízes profundas, para manterem a firmeza junto ao solo e conseguirem o máximo de nutrientes, de modo que consigam florescer de uma maneira espetacular.

Para ter um belo Lírio em casa, o ideal é que ele fique perto da janela, mas sem receber sol direto. No máximo, os raios das primeiras horas do dia. Isso porque, se receberem muito sol, o solo seca rapidamente. Porém, quando um Lírio é regado em excesso, o seu bulbo apodrece. Assim, seguindo os cuidados básicos, ele pode florescer até duas vezes por ano, especialmente se o seu solo tiver um pH ácido. Caso você receba um Lírio num buquê, mantê-lo em uma água limpa, trocada diariamente, e longe das correntes de ar, pode fazê-lo durar por cerca de duas semanas.



Referências