Da mesma família do Tomate e da Berinjela, e encontrada de forma nativa no Brasil e do Paraguai, a Lobeira é comestível e tem grande importância para um ser em especial: o Lobo-Guará.
Cientificamente conhecida como Solanum lycocarpum, ela é uma planta que ganhou o nome popular “Lobeira” por compor cerca de 50% da dieta do Lobo-Guará. Ela é importante para esse mamífero não apenas por garantir a sua subsistência, mas também por protegê-lo contra um verme fatal chamado Dioctophyme renale, que é conhecido como “verme gigante do rim”.

Mas não se engane pensando que o Lobo-Guará é um ingrato que se aproveita da Lobeira sem dar nada em troca: ao se alimentar dos frutos da planta, ele ajuda a dispersar as sementes dela por aí. Isso acontece não só ao fazer uma lambança na hora de comer, mas também ao evacuar as sementes nas suas andanças pelas florestas.
Porém, toda história de amor tem um vilão – que, nesse caso, é o humano.
Ameaças
Com o desmatamento, o Lobo-Guará tem perdido o seu habitat e os seus alimentos, já que muitas Lobeiras são tiradas do caminho pelo agronegócio. Além disso, com a caça ilegal do Lobo Guará, a Lobeira fica sem uma importante ajuda para se disseminar por aí.
O Lobo-Guará já é oficialmente considerado em ameaça de extinção. A Lobeira ainda não está em risco, mas esse status pode mudar se nada for feito.
A Lobeira é uma planta maravilhosa. Podendo alcançar 5 metros de altura, ela tem facilidade para se desenvolver em áreas degradadas e poder ser uma boa alternativa para a regeneração de vegetações. Isso porque ela conta com raízes muito profundas, o que a faz ser capaz de aguentar a seca e até queimadas. Quando adulta, ela também consegue fornecer umidade, nutrientes e sombreamento para espécies mais sensíveis.
E a Lobeira vai além nesse potencial de ajudar o planeta: pesquisas da Universidade Federal de Goiás (UFG) mostraram que é possível usar a Solanum lycocarpum para a produção de etanol – que poderia ser aproveitado não só nos combustíveis, mas também na indústria de bebidas -, e até mesmo de isopor biodegradável, obtido a partir das fibras residuais que sobrariam após a obtenção desse etanol.
Seus frutos carnosos também têm grandes benefícios para a saúde. Além de ações já comprovadas contra os sintomas gripais, as mesmas pesquisas da UFG mostraram que a Lobeira também pode atuar na redução dos índices glicêmicos.
Ficha Técnica:
- Principais nomes populares: Lobeira
- Reino: Plantae
- Filo: Streptophyta
- Classe: Equisetopsida
- Subclasse: Magnoliidae
- Ordem: Solanales
- Família: Solanaceae
- Gênero: Solanum
- Espécie: Solanum lycocarpum
- Origem: Brasil e Paraguai
- Nativa no Brasil: Sim (Bahia, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná)
Referências
https://jornal.ufg.br/n/87360-lobeira-de-praga-a-materia-prima
https://www.colecionandofrutas.com.br/solanumlycocarpum.htm
https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1140022/lobeira-solanum-lycocarpum
https://museucerrado.com.br/lobeira-2/
https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/flora/fotos/2015/01/lobeira.html#F1448875
https://www.invivo.fiocruz.br/biodiversidade/lobo-guara-um-solitario-no-cerrado/








