Você sabia que uma planta amazônica é considerada o principal recurso contra a fome no planeta? E que ela ocupa o segundo lugar entre os alimentos energéticos mais consumidos por 1 bilhão de pessoas, atrás apenas do arroz? Essa é a Mandioca ou Manihot esculenta Crantz, a mais antiga planta cultivada no Brasil.
Espécie que pode alcançar até 5 metros de altura, a Mandioca é uma planta da família Euphorbiaceae, a mesma da Mamona e da Seringueira. Em um estudo desenvolvido pela USP, pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e pela Universidade Federal do Amazonas, descobriu-se que o seu cultivo teria começado no sudoeste Amazônico, há 9 mil anos, e se espalhado com as migrações populacionais pelos rios da região.

Uma outra pesquisa, feita pela Universidade de Augsburg e pela PUC-RS, explica como se deu esse início do cultivo da Mandioca. A princípio, os povos indígenas observaram que os animais não chegavam perto da planta e, assim, entenderam que ela poderia ser tóxica. Por isso, decidiram usá-la na produção de curare, que são venenos colocados na ponta das flechas e obtidos a partir do cozimento de partes dos vegetais.
Com o tempo, eles perceberam que o curare feito com a folha da Mandioca cozida por 7 dias já não tinha mais o efeito tóxico. Porém, mesmo que não fosse mais útil em conflitos, isso não significaria que ela seria desperdiçada: a partir desse momento, começa-se a entender a planta como uma possibilidade nutritiva, explorando esse caminho não só nas suas folhas, mas, inclusive, nas suas robustas raízes.
Importância mundial
Há inúmeras formas de se consumir a Mandioca, das quais o a farinha e o tucupi, obtidos a partir das raízes, são apenas algumas. Calcula-se que ela seja a base alimentar para cerca de 800 milhões de pessoas em todo o planeta, com destaque para as populações de baixa renda nas regiões tropicais. Isso porque, apesar de oferecer pouca proteína, a Manihot esculenta Crantz tem quantidades significativas de cálcio, fósforo e vitamina C.

As folhas cozidas da Mandioca são consumidas em pelo menos 60% dos países da África subsaariana. Em Serra Leoa e na Libéria, por exemplo, mulheres grávidas consomem as folhas como uma rica fonte de vitaminas e minerais. No Brasil, para combater a desnutrição, o pó da folha da mandioca também vem sendo usado como suplemento alimentar, inclusive para a nutrição das crianças.
Para ter toda essa riqueza da mandioca às suas mãos, é preciso ter paciência: ela pode levar de 10 a 20 meses para ser cultivada. Precisa de sol pleno, umidade e não se dá bem com o frio: temperaturas baixas fazem com que o seu crescimento fique ainda mais devagar. Porém, cuidando direitinho, ela é uma planta que pode desenvolver raízes de até 1 metro e que vive indefinidamente, por muitos e muitos anos.
Ficha Técnica:
- Principais nomes populares: Mandioca, Mandioca Brava
- Reino: Plantae
- Filo: Streptophyta
- Classe: Equisetopsida
- Subclasse: Magnoliidae
- Ordem: Malpighiales
- Família: Euphorbiaceae
- Gênero: Manihot
- Espécie: Manihot esculenta
- Origem: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador e Peru
- Nativa no Brasil: Sim (Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Piauí, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo)
Referências
http://servicos.jbrj.gov.br/flora/search/Manihot_esculenta
https://repositorio.unb.br/bitstream/10482/33847/1/2018_IgorAssisCarvalhoSantos.pdf
https://www.scielo.br/j/pab/a/yCr4cSMX9PhzfX9pf8rPjwQ
https://www.scielo.br/j/qn/a/rYR3xpPFSBFnLJZ4KkSTZ9w/?lang=pt
https://www.embrapa.br/en/embrapa-no-cirio/maniva
https://novo.ufra.edu.br/index.php?option=com_content&view=article&id=2999&catid=17&Itemid=121
https://globoplay.globo.com/v/11002604
https://globoplay.globo.com/v/10630315
https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/177858/1/ID-10022.pdf
https://www.embrapa.br/mandioca-e-fruticultura/cultivos/mandioca
https://link.springer.com/article/10.1007/bf00051630
https://www.sciencedirect.com/topics/agricultural-and-biological-sciences/manihot-esculenta
https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/737056/1/23040.pdf
https://academic.oup.com/aob/article/121/4/625/4791086?login=true
https://agencia.fapesp.br/forma-mais-popular-da-mandioca-e-consumida-ha-9-mil-anos/27608/
https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/159817/1/23961.pdf








