Originária do sudeste asiático, de países como a Índia – onde é cultivada há mais de 4.000 anos e é, inclusive, considerada a fruta nacional -, a Mangueira tem uma história fascinante. De nome científico Mangifera indica, ela é da mesma família do Caju e do Pistache, a Anacardiaceae.
Ásia
A Manga tem uma grande importância no hinduísmo. Isso porque, como o seu aroma afasta muitos insetos, há a crença de que ela protege contra as energias ruins. Além disso, por ser capaz de gerar muitos frutos – são mais de 3 mil em cada ano – a Mangueira é também considerada um símbolo de boa sorte e fertilidade. Inclusive, Ganesha, a divindade hindu da fortuna e da prosperidade, é frequentemente representado com Mangas ao seu redor.

Na cultura do país, ela já estava presente em textos anteriores à Era Cristã, mas também em descobertas arqueológicas como a Stupa de Bharhut, datada de 110 a.C.
Posteriormente, o império Mughal – que, entre os séculos 16 e 19, dominou quase toda a extensão da Índia, Paquistão, Bangladesh, Nepal e Butão – tinha as frutas como uma forte demonstração de riquezas. Nesse sentido, houve o desenvolvimento de várias técnicas de enxerto e cultivo de Manga, que era uma das frutas preferidas de vários imperadores. Assim, é nesse contexto que ela ganha o seu status de fruta nacional.
Brasil
A Manga chegou ao Brasil no século 16. Ela foi trazida pelos portugueses pouco tempo depois da invasão de 1500, mas não ficou apenas por aqui: eles também a introduziram em diversas regiões do continente africano. Os espanhóis, por outro lado, a levaram para México e Cuba, a partir dos quais ela foi para os Estados Unidos, no século 19, ganhando ainda mais popularidade mundo afora.
Belém
Ainda no Brasil, a Mangueira ganhou destaque em duas cidades: Belém e Rio de Janeiro. Por iniciativa do intendente Antônio Lemos, que administrou a capital paraense entre 1897 e 1911, a Mangueira foi utilizada na criação de diversos corredores verdes. Em virtude de tantos exemplares da árvore espalhados pelas ruas, Belém passou a ser conhecida como a “Cidade da Mangueiras”. Foi por isso que o seu Estádio Olímpico foi feito em forma de uma Manga e é conhecido como Mangueirão.

Rio de Janeiro
Ao mesmo tempo em que era usada no norte, a Mangueira também era usada na urbanização do Rio de Janeiro, em bairros como Humaitá, Botafogo e Tijuca. Nesse sentido, a árvore nomeia a terceira comunidade mais antiga da capital fluminense: o Morro da Mangueira. Ele ganhou esse nome pela notável quantidade de pés da fruta que existiam na época da ocupação do território, em meados do século 19. Foi dessa relação, inclusive, que surgiu a Estação Primeira de Mangueira.

Fundada em 28 de abril de 1928, a Estação Primeira de Mangueira é dona de 20 títulos do carnaval carioca, atrás em vitórias somente da Portela, que tem 22. A ligação com a árvore é tão forte que virou samba-enredo: em 1993, a Mangueira levou para a avenida o desfile Dessa Fruta Eu Como Até o Caroço, contando a história da Manga. Porém, as cores da escola não são por causa da fruta, e sim do Fluminense, time do coração de Cartola.

Cultivo
Seja na história, nas cidades, no samba ou na natureza, a Mangueira, de fato, é colossal: se for cultivada sob sol pleno e em solo rico em matéria orgânica, ela pode passar dos 30 metros de altura e de 20 metros de copa. Repleta de compostos com potenciais antioxidantes, anti-inflamatórios, antimicrobianos e imunomoduladores, a Manga, além de muita história, também é sinônimo de sabor e saúde. A fruta surge sempre no fim da primavera e oferece doses generosas de vitaminas A, B e C, além de muito ferro, potássio, magnésio e fibras.
Ficha Técnica:
- Principais nomes populares: Manga
- Reino: Plantae
- Filo: Streptophyta
- Classe: Equisetopsida
- Subclasse: Magnoliidae
- Ordem: Sapindales
- Família: Anacardiaceae
- Gênero: Mangifera
- Espécie: Mangifera indica
- Origem: Belize, China, Índia, Mianmar e Tailândia
- Nativa no Brasil: Não
Referências
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32506936/
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3249901
https://www.phytojournal.com/archives/2017/vol6issue6/PartR/6-6-82-484.pdf
https://www.scielo.br/j/rbmet/a/qVrwBqp9mfcvddTBxVwYjPh
https://www.scielo.br/j/fractal/a/ZPwHJ4yQRF4KCzL4vTfSNfD
https://inpn.mnhn.fr/espece/cd_nom/446894/tab/taxo
https://www.britannica.com/plant/mango-plant-and-fruit
https://indiabiodiversity.org/species/show/33485
https://uenf.br/projetos/arvoresdauenf/especie-2/mangueira/
https://acervodigital.ufpr.br/handle/1884/37995
https://www.esalq.usp.br/trilhas/fruti/fr28.htm
https://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/36787/39509
https://www.ufrgs.br/alimentus1/feira/mpfruta/manga/cabot.htm
https://www.museunacional.ufrj.br/hortobotanico/arvoresearbustos/mangiferaindica.html#top
http://www.belem.pa.gov.br/ver-belem/detalhe.php?i=1&p=26
https://crab.sebrae.com.br/estado_posts/a-origem-do-carnaval-da-mangueira
https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/197653/1/Mangueira.pdf
https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/884451/1/CultivodaMangueira.pdf
Clique para acessar o tec4-0504.pdf
https://www.escoladebotanica.com.br/post/a-mangueira-e-suas-diminutas-flores








