Se você vive ou já viveu em terras brasileiras, são grandes as chances de que, ao ver a foto de um Maracujá, você sinta imediatamente o seu aroma. Isso porque, da culinária às artes, o fruto é um ícone nacional que marcou diversos aspectos da nossa identidade. Você sabia, por exemplo, que o Brasil é o seu maior mercado consumidor? E que o Maracujá faz parte da nossa alimentação desde muito antes da invasão portuguesa, mas se viu usado pela Igreja Católica no violento processo de catequização dos povos indígenas? Essas são algumas entre as suas muitas curiosidades.

Embora a mais consumida no país seja a Passiflora edulis, “Maracujá” é o nome popular dos frutos não apenas dessa espécie, mas de todas do gênero Passiflora, que conta com mais de 500 exemplares. No território brasileiro, há cerca de 150  – algumas, inclusive, ameaçadas de extinção. No caso da famosa Passiflora edulis, o Maracujá Azedo, ela também é encontrada de forma nativa na Argentina e no Paraguai. Por aqui, os estados campeões no seu cultivo são Bahia e Ceará, responsáveis pela maior parte do volume de Maracujá consumido no Brasil.

Várias espécies de Maracujá ficaram conhecidas mundo afora como Passionfruit (“Fruto da Paixão”). Isso porque, em 1569, o médico e botânico espanhol Nicolás Monardes associou a estrutura da planta à Paixão de Cristo. Para ele, os ramos seriam os açoites; os filamentos seriam a coroa de espinhos; os três estames, os pregos da cruz; as cinco anteras, as chagas; e os tons de vermelho e de roxo seriam o sangue de Jesus Cristo.

A Igreja Católica se apropriou do Maracujá no violento processo de catequização dos povos indígenas

Com um nome de origem Tupi (“Maracujá” significa “alimento em forma de cuia”), a fruta, que já era cultivada e consumida há séculos pelas comunidades indígenas, acabou sofrendo uma forma de apropriação cultural: ao ser associada à narrativa da Paixão de Cristo, ela foi usada pelos europeus justamente para catequizar os povos indígenas. O papa Paulo V (1550-1621) teria sido um dos principais nomes na disseminação dessa simbologia Cristã da planta, depois de ter recebido uma muda de Maracujá e passado a cultivá-la.

A atuação europeia também foi o começo  para a destruição de várias espécies de Maracujá nas florestas brasileiras, já que as matas ficaram desprotegidas e foram violentadas. Porém, assim como os indígenas resistiram, o Maracujá também lutou: em 2022, houve a descoberta de uma espécie rara na Serra da Mantiqueira. Chamada de Passiflora purii em homenagem à etnia Purí, que habitava a região antes da colonização, mas conseguiu resistir, a espécie conta com menos de 50 exemplares na natureza e é considerada ameaçada de extinção.

Voltando a falar da nossa Passiflora edulis, ela é uma trepadeira que pode chegar até os 10 metros de comprimento. Ela não é uma planta perene, tendo uma longevidade aproximada de 3 anos. Isso se explica, entre outros motivos, pela energia investida na sua estrutura reprodutiva. Falando nisso, por ser auto-incompatível, depende de polinizadores, principalmente as abelhas, para conseguir se reproduzir. Essa contribuição é ainda mais importante pelo fato de que, em função do peso do pólen da flor do Maracujá, a polinização não acontece pelo vento.

Suas flores perfumadas têm uma característica especial: elas abrem às 13 horas e fecham às 18, mas a duração de vida da flor é de apenas 12 horas. Se a polinização não acontecer, as flores irão murchar e cair. Porém, dois meses depois da polinização, um belo Maracujá já pode ser colhido. Por ser uma planta de clima tropical, os solos mais indicados são os arenosos que precisam ser bem drenados para evitar o apodrecimento das raízes. Ela também precisa de quebra vento formado por árvores de porte ereto, por ser muito sensível às correntes de ar.

“Mas o Maracujá acalma mesmo?” – o potencial calmante do Maracujá não está na fruta, mas sim nas folhas. Isso porque elas apresentam flavonoides que contam com propriedades ansiolíticas e também analgésicas. A fruta também tem os flavonoides, mas em doses muito menores, embora ela seja uma excelente fonte de Fibras, Potássio, Magnésio e Vitaminas C e A. Nesse sentido, o chá é mais calmante do que o suco – mas nada de exagerar no chá, viu? O excesso pode causar problemas gastrointestinais, circulatórios, e muito mais.

O Maracujá até acalma, mas o maior poder calmante está nas folhas

  • Principais nomes populares: Maracujá
  • Reino: Plantae
  • Filo: Streptophyta
  • Classe: Equisetopsida
  • Subclasse: Magnoliidae
  • Ordem: Malpighiales
  • Família: Passifloraceae
  • Gênero: Passiflora
  • Espécie: Passiflora edulis
  • Origem: Argentina, Brasil e Paraguai
  • Nativa no Brasil: Sim (Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina)

Referências