Cura para uns, porém praga para outros: a vida do Marrubium vulgare é marcada por amores e ódios. Ao mesmo tempo em que é adorado em diversos países da Europa por todas as suas propriedades medicinais, ele é detestado na Austrália, onde é tido como uma erva daninha. Porém, em meio às polêmicas, uma coisa é certa: nos lugares aonde chegou, o Marroio nunca passou despercebido.

Nativo da faixa territorial de clima temperado que vai de Portugal ao Uzbequistão, chegando a alcançar o norte da África, o Marrubium vulgare chegou aos países das Américas e da Oceania durante o período colonial que marcou essas regiões. Os europeus o levaram para essas “novas” terras para que tivessem acesso às famosas propriedades da planta mesmo longe de casa.

Além dos já comprovados aspectos antibacterianos, antineoplásicos, antioxidativos, sedativos, entre outros, o Marrubium vulgare também era um importante item na fabricação de cerveja. Por isso, seu cultivo era muito incentivado em várias regiões. Porém, no Brasil, por exemplo, onde se deu muito bem no planalto serrano de Santa Catarina, ele também se tornou popular como ingrediente nas pastilhas para tosse e inflamações da garganta.

O Marroio é usado na fabricação de cervejas, mas, por se proliferar com facilidade, é visto como uma erva daninha em muitos territórios

Ele pode até ser pequeno – cresce apenas 0,5 metro de altura – mas, além de cheio de propriedades medicinais, o Marroio é muito estratégico. Sendo super feliz no sol pleno e contando com a ajuda dos  tricomas, aqueles “pelinhos” que ajudam na absorção de água e de nutrientes, ele não só vive bastante, como também produz muita semente: são cerca de 20 mil por ano, que sobrevivem de 5 a 10 anos.

Como essas sementes minúsculas se aderem com facilidade aos tecidos e aos pelos dos animais – entre os quais os humanos -, o Marroio consegue se espalhar num piscar de olhos. Isso gerou problemas em diversos territórios onde chegou, visto que ele passou a disputar espaço, luz, água e nutrientes com as plantas nativas dessas regiões. De todas, o maior problema é na Austrália.

Chegando à terra do canguru em 1798, o Marroio se envolveu numa grande confusão com o passar dos anos. Ele gerou um grande impacto ambiental junto à flora nativa. Em alguns estados da região, ele recebeu legalmente o título de erva daninha, de modo que há um Plano de Gestão Local para contê-lo. Entre as medidas adotadas por lá, é proibido não só vendê-lo, mas também distribuí-lo.


  • Principais nomes populares: Marroio
  • Reino: Plantae
  • Filo: Streptophyta
  • Classe: Equisetopsida
  • Subclasse: Magnoliidae
  • Ordem: Lamiales
  • Família: Lamiaceae
  • Gênero: Marrubium
  • Espécie: Marrubium vulgare
  • Origem: Afeganistão, Albânia, Alemanha, Arábia Saudita, Armênia, Azerbaijão, Argélia, Áustria, Bélgica, Bielorrússia, Bulgária, Cabo Verde, Chipre, Cazaquistão, Dinamarca, Egito, Espanha, Estônia, França, Geórgia, Grécia, Holanda, Hungria, Irã, Iraque, Itália, Letônia, Lituânia, Marrocos, Nepal, Paquistão, Palestina, Polônia, Portugal, Reino Unido, República Tcheca, Romênia, Rússia, Suécia, Suíça, Tunísia, Turcomenistão, Turquia, Ucrânia e Uzbequistão.
  • Nativa no Brasil: Não

Referências