Encontrado de forma nativa no Brasil e no Paraguai, o Pequi, cujo nome científico é Caryocar brasiliense, vem de uma árvore de vida longa e que pode passar dos 10 metros de altura, o Pequizeiro. Com seu caule repleto de curvas, suas folhas serrilhadas, suas delicadas flores brancas e seu fruto de aroma intenso, ele é um dos maiores símbolos do Cerrado. Amado por muitas pessoas, mas odiado por outras, ele tem uma trajetória de mistérios e polêmicas.
Trajetória
Não há uma unanimidade sobre a origem do Pequi. Entre os cientistas, por exemplo, há a hipótese de que Pequizeiro já existia, pelo menos, há cerca de 12 mil anos. Há indícios de que seus frutos eram dispersados pelos animais que compunham a chamada megafauna, da qual faziam parte, por exemplo, a preguiça gigante. No entanto, com a extinção desses animais de porte imenso, ele foi ganhando outros predadores, como o veado mateiro, a cotia e os gambás.

Entre as culturas indígenas, também não há uma versão unânime sobre a origem do Pequizeiro. Uma das narrativas é a de que, para compensar uma mãe que havia perdido seu filho quando este foi levado de volta ao céu, as divindades teriam criado uma árvore cujo fruto seria saboroso e inesquecível, mas repleto de espinhos, em menção à dor da mãe com a partida de seu filho. Em tupi, a palavra Pequi significa “pele espinhosa”.
De fato, as sementes do Pequi são envoltas em uma camada de espinhos que podem deixar a experiência de saboreá-lo ao natural bem dolorosa. No entanto, ainda que essa camada seja inconveniente para os humanos, ela é muito importante para a planta: chamada de endocarpo, ela é uma estrutura que existe para proteger a semente no ambiente selvagem, de modo a garantir o seu desenvolvimento com uma maior segurança.
Importância do Pequi
Embora a raiz e a casca sejam tóxicas para ingestão, elas são usadas na produção de tintas para tecidos. A semente, rica em óleo comestível, também é usada no preparo de alimentos e na indústria de cosméticos, na criação de cremes e sabonetes. Já a polpa – que está madura quando a casca fica mole – é protagonista em vários pratos. Mesmo que você não seja do Cerrado, talvez você já tenha ouvido falar na galinhada com Pequi, uma das receitas mais populares.

Rico em nutrientes como as vitaminas A e C, proteínas e sais minerais, o Pequi também tem atraído o interesse da indústria farmacêutica. Inclusive, estudos publicados pelo Instituto de Tecnologia do Paraná mostram que há grandes benefícios farmacológicos no uso do óleo extraído do fruto, que costuma ser usado pelas comunidades rurais para o tratamento de várias doenças respiratórias e inflamações. Também houve a comprovação do seu efeito cicatrizante.
Por tantas qualidades, o Pequizeiro é uma planta muito importante não apenas nos âmbitos cultural e nutritivo, mas também para toda a biodiversidade. Porém, com avanço das monoculturas do agronegócio, o desmatamento e a exploração predatória da madeira do Pequizeiro, há um grande temor pelo seu fim. Em estados como Paraná e Mato Grosso, o Pequi já marcou presença na lista vermelha das espécies com risco de extinção.
Ficha Técnica:
- Principais nomes populares: Pequi
- Reino: Plantae
- Filo: Streptophyta
- Classe: Equisetopsida
- Subclasse: Magnoliidae
- Ordem: Malpighiales
- Família: Caryocaraceae
- Gênero: Caryocar
- Espécie: Caryocar brasiliense
- Origem: Bolívia, Brasil e Paraguai
- Nativa no Brasil: Sim (Pará, Tocantins, Bahia, Maranhão, Piauí, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo e Paraná)
Referências
https://www.univag.com.br/storage/linksproductions/49/29.pdf
https://www.arvoresdobiomacerrado.com.br/site/2017/06/06/caryocar-brasiliense-cambess/
https://oestadodopiaui.com/o-rei-do-cerrado/
https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/NCAP-AAJNAM/1/angela_mestrado_2016__1_.pdf
http://acervo.ufvjm.edu.br/jspui/bitstream/1/1874/1/paulo_henrique_rodrigues_santos.pdf
https://tede2.pucgoias.edu.br/bitstream/tede/2591/1/TATIANA%20NOGUEIRA%20DE%20DEUS.pdf
https://www.jstor.org/stable/4255690
https://www.scielo.br/j/asagr/a/Bpnc9PJPwZHyNZVVHqn8D3j/?lang=en
https://www.scielo.br/j/bgoeldi/a/sGKcLT9qCkGFTpGnGkgyJCK/?lang=pt
https://www.scielo.br/j/babt/a/JTvnN3KszsLFRTF4nxwZgrR/?lang=en
https://piaui.folha.uol.com.br/materia/no-paraiso-nao-havia-pequi
https://www.embrapa.br/busca-de-solucoes-tecnologicas/-/produto-servico/10004/pequi-gobrs-202
https://www.cfn.org.br/index.php/pequi
https://www.abc.go.gov.br/noticias/novo-fruto-de-goi%C3%A1s-o-pequi-sem-espinhos.html








