Bactris gasipaes, chamada popularmente de Pupunheira, é uma espécie de palmeira, nativa de países como Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guiana Francesa, Honduras, Nicarágua, Panamá e Peru. Ela pertence à família Arecaceae, a mesma do Coqueiro e do Açaí, e existe no planeta há mais de 60 milhões de anos, mas o seu cultivo pelos povos originários começou há apenas 4 mil anos.

Aqui no Brasil, ela aparece na região Amazônica. No início, o foco indígena com a espécie era o uso da madeira, que é bem flexível, mas, ao longo do tempo, várias partes da sua estrutura – que pode chegar aos 20 metros de altura – passaram a fazer parte da dieta. Uma delas é o fruto, a Pupunha: isso porque, além de rica em fibras, minerais e carotenóides, ela também tem poderosa ação antioxidante e anti-inflamatória.

A Pupunha é importantíssima na alimentação dos povos originários

As Pupunhas têm uma casca que muda de cor conforme o grau de desenvolvimento, indo do vermelho ao amarelo. Elas têm uma parte que é comestível e uma semente dura, e aparecem, em média, após três anos de plantio. A Pupunheira pode produzir de 5 a 10 cachos todos os anos, com um rendimento de até 12 kg por cacho. Para comer, basta cozinhar na água até o fruto se soltar do ramo.

A fruta muda de cor de acordo com o seu desenvolvimento

“Mas e o palmito?” – na hora de falar sobre nutrientes, ele também não fica atrás: é rico em fibras, potássio, magnésio, cálcio, fósforo, vitamina C e muito mais, além de ter pouca gordura. Em comparação com o palmito do Açaizeiro, o da Pupunha é mais vantajoso por ser mais macio e ter menos calorias, além de ser mais sustentável, pelo fato de que a sua extração não causa a morte da árvore.

A colheita do palmito inicia o processo de brotamento, que é uma forma de reprodução das plantas, levando a árvore a passar dos 10 anos de vida e tornando-se uma boa fonte de renda para os produtores. Isso porque ela inteira vira produto: as sementes originam o óleo, as folhas viram artesanato, as flores podem ser usadas como tempero – e tudo isso só para citar alguns exemplos.

O Palmito Pupunha in natura

Havia a preocupação de que a extração do palmito gerasse muitos resíduos, mas até aí a Pupunheira dá um show: xilo-oligossacarídeos, que são açúcares não convencionais, não calóricos e considerados prebióticos – isto é, promovem o crescimento de probióticos que trazem benefício à saúde humana -, são produzidos a partir da sua casca. Além disso, a sua bainha produz nanocelulose.

Nesse sentido, a Pupunha tem conseguido dar uma forcinha para salvar uma “prima” sua: a Juçara (Euterpe edulis). Encontrada de forma nativa no Cerrado, mas, em especial, na Mata Atlântica, ela está ameaçada de extinção por causa da extração do seu palmito: diferente do que acontece com a Pupunheira, a retirada do palmito Juçara mata a planta. Por isso, o palmito da Pupunheira é um dos nomes para substituir o da Juçara nos mercados, de modo que ela possa voltar a ser presente nas matas.

A Pupunheira pode ajudar a salvar a palmeira Juçara do risco de extinção

É importante lembrar que, por serem espécies de biomas diferentes, não é interessante plantar a Pupunheira nas áreas da Juçara. Porém, só o fato de oferecer um palmito sustentável já ajuda muito para a “prima”. Sim, a Pupunheira é tudo de bom: versátil, generosa, saudável e, como se não bastasse, ainda é parceira. É por tudo isso e muito mais que saborear uma Pupunha é tão delicioso.


  • Principais nomes populares: Pupunha
  • Reino: Plantae
  • Filo: Streptophyta
  • Classe: Equisetopsida
  • Subclasse: Magnoliidae
  • Ordem: Arecales
  • Família: Arecaceae
  • Gênero: Bactris
  • Espécie: Bactris gasipaes
  • Origem: Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guiana Francesa, Honduras, Nicarágua, Panamá, Peru e Venezuela
  • Nativa no Brasil: Sim (Acre, Amazonas, Pará, Rondônia e Mato Grosso)

Referências

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