Ambiciosas e cheias de energia, as Tulipas são as mais Arianas entre as flores. Isso porque, enfrentando inúmeros desafios, elas são corajosas, determinadas e colorem o mundo inteiro. Porém, dos mais de 3 mil tipos existentes, aquelas com tons de vermelho são as que mais combinam com quem nasce entre 21 de março e 19 de abril. Isso não apenas porque Áries é um signo de fogo, mas também porque as cores avermelhadas são historicamente associadas às características arianas da paixão, da confiança e do poder.

Há mais de 3 mil tipos de Tulipas ao redor do mundo, mas as vermelhas são associadas à paixão, confiança e poder

Assim como Áries inaugura o ciclo zodiacal, as Tulipas marcam o começo da primavera. Nesse sentido, tanto o signo quanto a flor representam o renascimento e o pioneirismo. Assim como as Arianas que não esperam acontecer, as Tulipas também não brincam em serviço: elas até podem se reproduzir por sementes, que dependeriam da polinização, mas também se multiplicam por bulbos que brotam sozinhos a partir da planta mãe. Porém, como é de se esperar, a ousadia de Arianas e Tulipas desperta uma certa inveja em quem não é como elas. Sabe o título de “Satanáries”? Freud explica.

Como boas Arianas, as Tulipas agitam o mundo há tempos. Originárias da Ásia Central, elas já existiam na natureza há milhões de anos, mas foram cultivadas para fins estéticos pela primeira vez por volta do ano 1050 D.C., na Turquia, pelo Sultão Suleiman. Inclusive, “Tulipa” vem da palavra persa para o seu famoso turbante, “Tulipan”, e a grande maioria das variedades cultivadas hoje descendem das originais do Sultão.

O Sultão Suleiman era um dos grandes admiradores das Tulipas

Uma das simbologias mais comuns das Tulipas: o amor profundo. Esse significado, inclusive, se enlaça com as culturas turca e persa: uma das narrativas mais famosas dessas culturas conta que um príncipe teria se apaixonado por uma garota que viria a ser assassinada. Movido pelo desespero, o príncipe teria se lançado de um penhasco e, por conseguinte, Tulipas Vermelhas cresceram por onde seu sangue tocou o chão.

Depois de fascinar a Ásia por séculos, havia chegado a hora de dominar o mundo. Assim, com as Grandes Navegações, as Tulipas foram levadas para a Europa no século 16. O principal disseminador foi o biólogo francês Carolus Clusius: ele tinha o hábito de partilhar as suas descobertas botânicas e, por isso, passou a enviar bulbos das suas Tulipas para a nobreza da Alemanha, Áustria, Hungria e outros territórios. Rapidamente, a flor passou a ser vista como um item de luxo, e foi com esse status que ela chegou ao seu destino icônico: a Holanda.

No final do século 16, as Tulipas chegaram aos Países Baixos e logo se sentiram em casa. O ar úmido de maresia, o solo aerado com um pH neutro, as estações bem marcadas e a temperatura amena, fizeram com que elas se adaptassem muito bem. Porém, durante um breve período, elas foram meras figurantes no mercado das flores, e foi somente na virada para o século 17 que as Tulipas viraram verdadeiras protagonistas. Ao contraírem o chamado Vírus Mosaico, que deixava as pétalas brilhantes e coloridas, as Tulipas passaram a ser surpreendentemente muito mais desejadas.

Com cruzamentos que geravam Tulipas ainda mais diferentes e raras, a flor virou um sinônimo de status: todas as famílias mais ricas queriam Tulipas para chamar de suas. Por consequência, o valor dos bulbos aumentou vertiginosamente e houve até quem usasse suas economias para comprá-los, na esperança de vendê-los por preços maiores do que os de compra.

Tulipas de diversos tipos passaram a conquistar o mercado, especialmente as vermelhas manchadas, como as da obra Tulips and carnations in an earthenware vase, de Jacob van Hulsdonck

Tulipa ‘Semper Augustus’, por exemplo, chegou a ser vendida por 10 mil florins, cerca de 30 mil reais em números atuais. Assim, uma bolha de especulação financeira surgiu e foi crescendo, até estourar e gerar uma grave crise.

No século 18, muitos bulbos, em razão de toda a crise, eram vendidos por apenas 5% do valor da compra. Ainda que não tenha afetado todos os níveis da sociedade e não tenha colapsado a economia holandesa, o estrago foi enorme. Inclusive, muitos economistas consideram que essa teria sido a primeira bolha financeira da História, sendo comparada, guardadas as devidas proporções, à crise financeira de 1929. Nesse sentido, há outro paralelo com Áries: a sua impulsividade pode gerar um caos. Porém, ela faz o mundo se movimentar, de modo que, se bem administrada, pode ser um grande poder.

Embora a crise tenha sido catastrófica para muita gente, as Tulipas continuaram extremamente populares na Holanda. Isso porque elas souberam dar a volta por cima e se tornaram um símbolo do país, que hoje é o responsável por cerca de 90% da produção mundial de Tulipas. Porém, haja determinação: a criação de uma nova variedade pode levar até 20 anos e as pesquisas são muito sigilosas.

A mais famosa região de cultivo está localizada atrás das dunas do Mar do Norte, entre as cidades de Leiden e Den Helder. Inegavelmente, de todas as cores, as Tulipas vermelhas são as favoritas no mundo todo.

  • Principais nomes populares: Tulipa
  • Reino: Plantae
  • Filo: Streptophyta
  • Classe: Equisetopsida
  • Subclasse: Magnoliidae
  • Ordem: Liliales
  • Família: Liliaceae
  • Gênero: Tulipa
  • Espécie:
  • Origem: Afeganistão, Albânia, Argélia, Bielorrússia, Bulgária, Chipre, Egito, Espanha, França, Grécia, Índia, Irã, Iraque, Itália, Cazaquistão, Quirguistão, Líbia, Mongólia, Marrocos, Paquistão, Portugal, Romênia, Rússia, Arábia Saudita, Suíça, Tadjiquistão, Tunísia, Turcomenistão, Turquia, Ucrânia e Uzbequistão
  • Nativa no Brasil: Não

Referências