Alvo de grande desejo internacional por ser uma das maiores plantas aquáticas do mundo, a majestosa Vitória-Régia é um grande tesouro da região da Amazônia. Encontrada de forma nativa nos territórios da Bolívia, Brasil, Colômbia, Guiana e Peru, ela é uma planta repleta de histórias interessantes, que vão desde a origem do seu nome científico, Victoria amazonica, até a narrativa indígena em torno do seu surgimento na natureza.

Nativa da Amazônica, a Vitória Régia é uma das maiores plantas aquáticas do mundo

Em 1837, o explorador Robert Schomburgk viajava pela Guiana Inglesa (atual Guiana, país que faz fronteira com Roraima e Pará), quando se deparou com uma planta peculiar, mas belíssima. Assim, para agradar a Rainha Vitória, que financiava sua viagem, ele levou sementes daquela planta para a Inglaterra e queria nomeá-la como Victoria Regia (“Regia” deriva de “Regina”, que é “Rainha” em latim).

Na nomenclatura científica, o primeiro nome de uma planta define o seu gênero, enquanto o segundo define a sua espécie. Nesse sentido, Schomburgk acreditava ter identificado um gênero novo, mas não sabia que a planta já havia sido registrada, em 1832, por outro explorador: o alemão Eduard Poeppig, que a classificou como sendo do gênero Euryale e lhe deu o nome de Euryale amazonica.

Porém, nessa confusão, um outro botânico, o inglês John Lindley, teve acesso às anotações de Schomburgk e viu que, entre as espécies observadas, realmente havia um gênero novo.

Ele gostou da ideia de  Schomburgk e assim definiu o gênero como Victoria (para também agradar a Rainha), mas não mexeu na espécie Euryale amazonica. Foi apenas em 1850 que o botânico inglês J. C. Sowerby revisou e classicou a espécie de forma definitiva como Victoria amazonica.

A espécie ganhou o nome científico de Victoria amazonica em homenagem à então Rainha Vitória, da Inglaterra

Porém, se nessa época a Vitória-Régia era novidade para o mundo, por aqui ela era velha conhecida. Isso porque, entre os povos originários, que deram a ela nomes como Uapé, havia uma antiga narrativa sobre a sua origem.

Segundo uma das versões mais tradicionais uma indígena, maravilhada com o reflexo da Lua nas águas, teria perdido sua vida nessa paixão. Com pena da admiradora, a Lua a teria transformado na planta e lhe dado a sua beleza. Curiosamente, as flores da Victoria amazonica só abrem à noite.

Falando em suas flores, elas são bem peculiares. Embaixo da Vitória-Régia, crescem cabos chamados pecíolos e, enquanto uns dão origem às folhas, outros originam as flores. Essas flores duram apenas por duas noites: na primeira, elas são brancas e aguardam a chegada do besouro que irá polinizá-las. Se a polinização ocorrer, elas mudam de cor, ficando em um tom entre o rosa e o lilás.

Outra curiosidade da Vitória-Régia são as suas folhas: podendo alcançar até 2,5 metros de diâmetro, elas contam com canais que escoam a água da sua superfície, os quais, aliados a bolsas de ar, fazem com que ela não afunde. Na sua lateral e por toda a parte submersa, também há diversos espinhos, que servem para afastar predadores e plantas competidoras.

Além de ser bela e estratégica, a Vitória-Régia, com exceção das folhas, é quase toda comestível: suas sementes, por exemplo, quando submetidas ao calor, estouram como uma pipoca.

Com tudo isso, dá mesmo para concordar que a Victoria amazonica é, realmente, uma rainha entre todas as plantas que o mundo já conheceu.


  • Principais nomes populares: Vitória Régia
  • Reino: Plantae
  • Filo: Streptophyta
  • Classe: Equisetopsida
  • Subclasse: Magnoliidae
  • Ordem: Nymphaeales
  • Família: Nymphaeaceae
  • Gênero: Victoria
  • Espécie: Victoria amazonica
  • Origem: Bolívia, Brasil, Colômbia, Guiana e Peru
  • Nativa no Brasil: Sim (Acre, Amazonas, Pará, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul)